Pais a toda a prova

Segunda-feira é dia do pai. Mais uma vez, nas escolas puxa-se pela cabeça para que as crianças possam oferecer um presente útil, bonito e original. Por se saber que não há melhor presente do que ter tempo para estar e brincar com os filhos, as escolas passaram a ‘oferecer’ também uma manhã de encontro e…

Segunda-feira é dia do pai. Mais uma vez, nas escolas puxa-se pela cabeça para que as crianças possam oferecer um presente útil, bonito e original. Por se saber que não há melhor presente do que ter tempo para estar e brincar com os filhos, as escolas passaram a ‘oferecer’ também uma manhã de encontro e partilha às duas gerações.

Mas não é só nas escolas que há modificações. À medida que as crianças são mais tidas em conta na vida familiar também o pai se tornou mais próximo e participativo nas tarefas dos mais pequenos. Se antigamente não sabia o que era uma fralda (de pano), agora o pai troca-a com uma perna às costas, acorda a meio da noite para embalar o bebé, aparece muitas vezes a carregar ao ombro sacos cheios de coisas minúsculas que utiliza com facilidade, sabe de cor tudo o que diz respeito a bebés, dá banho, biberão, etc.

Ainda assim, a exigência dos filhos é tanta e o tempo é tão pouco que estes progressos por vezes parecem ser insuficientes. Sem se aperceberem, algumas mães têm dificuldade em aceitar uma forma de realizar tarefas diferente da sua. Por vezes mais demorada, ou mesmo desastrosa, mas minuciosa e, acima de tudo, genuína e eficaz. É ótimo para todos que o pai ajude e é muitíssimo importante que o faça, mas não sendo um duplo da mãe. A maior ajuda e contributo será manter-se no seu papel, que é único. Por muito boa vontade que tenha, o pai não consegue nem deve ser igual à mãe. Quase tudo é diferente entre os dois e só dessa forma se podem complementar e enriquecer ainda mais o desenvolvimento do filho.

Algumas mães têm a preocupação de tirar leite para que o pai possa ter uma sensação semelhante à que elas têm quando estão a amamentar; outras condenam o pai por não acordar com a mesma facilidade a meio da noite; muitas acham que tem de trocar a fralda da forma certa, com os cremes certos, e dizer as coisas certas à velocidade certa; ou que devem amar o bebé mal nasce com a mesma intensidade, ainda que ela o conheça há mais nove meses. Acontece que, se a mãe sabe dar de mamar numa oferta de alimento e afeto única, o pai tem uma cumplicidade e sabe brincar com os filhos como ninguém. Enquanto a mãe tem uma preocupação maternal primária que a faz acordar ao mínimo choro, o pai terá um melhor desempenho em excitar alegremente os filhos antes de irem dormir. E a dar banho, dar de comer, vestir, despir, os tempos, o cuidado e a atenção não são nem podem ser os mesmos. É também por demorarem meia hora a mudar uma fralda, trocarem as roupas dos filhos ou se esquecerem de lhes vestir peças essenciais que os pais são únicos e extraordinários.

Como estamos quase no dia do pai, um bom presente seria sermos mais compreensivos e respeitarmos e louvarmos estes superpais que já fazem um esforço enorme para acompanhar supermães, que na altura mais calma do dia jantam enquanto dão a sopa ao filho, embalam o bebé e conversam com o marido. Os pais não fazem por mal, só fazem à maneira deles ou simplesmente não fazem, porque nem se apercebem que há alguma coisa para fazer. E não é má vontade. É só uma vontade diferente. Como cada um tem a sua.

Um dia muito especial a todos os pais que se esforçam por fazerem os filhos felizes e que ocupam um lugar único nos seus pequeninos corações.