Internacional

Catalunha. Puigdemont deposita esperanças em Merkel

Advogado do ex-presidente catalão lembra que a decisão de extraditá-lo está nas mãos do governo. 

O antigo líder independentista catalão detido este fim de semana enquanto estava de passagem pela Alemanha levou esta quarta-feira o seu caso diretamente à porta da chanceler Angela Merkel, a quem exige que esclareça se no seu país se deportam ou não os presos políticos.

A manobra ficou nas mãos do advogado de Carles Puigdemont, Wolfgang Schomburg, especialista em direito penal internacional, que esta quarta enviou um pedido de esclarecimento à líder alemã e ao seu governo no qual coloca a questão acima e recorda que o pedido espanhol de extradição será decidido pela própria ministra alemã da Justiça. O mandato europeu de captura emitido pela justiça espanhola, argumenta além disso Schomburg, citado pelo jornal “Süddeutsche Zeitung”, é “impreciso e superficial”, e, portanto, deve ser considerado inválido.

Puigdemont parece colocar já o seu caso no plano da liberdade política e dos direitos humanos. O caso de Clara Ponsatí, que esta quarta-feira se entregou voluntariamente às autoridades escocesas em Edimburgo, e numa questão de algumas horas foi colocada em liberdade, pode pressionar o governo e a justiça da Alemanha a adotar uma via menos severa com o antigo presidente.

Ponsatí, que na sexta-feira recebeu ordem de prisão preventiva e incondicional pelo magistrado presidente do Supremo Tribunal espanhol, Pablo Llarena, está a ser defendida na Escócia pelo reitor da Universidade de Glasgow e advogado especialista em direitos humanos, Aamer Anwar, e será presente a uma audiência sobre a possível extradição para Espanha a 12 de abril. Esta quarta-feira, assim que foi colocada em liberdade, Clara Ponsatí foi recebida em aplausos por uma multidão de apoiantes.

As chances de Puigdemont na Alemanha, todavia, são mais escassas que as que Ponsatí tem na Escócia. Berlim prevê um crime de alta traição semelhante àquele que a justiça espanhola alega que foi cometido pelo ex--presidente catalão, e o governo de Angela Merkel já afirmou que o caso é um assunto interno de Espanha.

Esta quarta-feira, em Barcelona, a polícia espanhola deteve três das quatro pessoas que acompanhavam Puigdemont na viagem pela Alemanha, incluindo dois agentes dos Mossos d’Esquadra e o historiador Josep Lluís Alay.