Economia

Altice ao encontro da paz social

O Conselho Consultivo liderado por João Proença e Silva Peneda já tomou posse. Uma estrutura ‘inovadora e inédita’ nas empresas com vista a desenvolver as relações laborais.

Já tomou posse o Conselho Consultivo para o desenvolvimento dos recursos humanos e das relações laborais do grupo Altice, liderado por João Proença e José Silva Peneda. Trata-se, de acordo com o administrador com o pelouro de recursos humanos da operadora, «de um momento único na história da empresa com vista ao diálogo social e à paz social», revelou João Zúquete durante a cerimónia. 

Este Conselho Consultivo terá a competência de emitir propostas, pareceres e reflexões sobre questões levantadas pelo Comité Executivo da Altice Portugal e poderá ainda pronunciar-se, por sua iniciativa, sobre temas estratégicos de recursos humanos e relações laborais. É um órgão considerado «inovador e único» no tecido empresarial português, no entender dos dois presidentes do Conselho Consultivo. João Proença lembra ainda que se trata de um conselho independente e, face às várias experiências dos elementos que o compõem, «vai-se assistir a um trabalho de complementaridade no seu funcionamento». Mas deixa um aviso: «Será uma estrutura útil se cumprir as funções para que foi criada e se a Comissão Executiva der atenção aos pareceres apresentados, que pretendem desenvolver a política de recursos humanos da empresa.» 

A opinião é partilhada por José Silva Peneda ao lembrar que «a administração da empresa preocupa-se com a gestão dos seus recursos humanos».

Estabilidade laboral 

Este projeto vai, segundo o CEO da operadora, ao encontro da promoção da estabilidade laboral, considerada por Alexandre Fonseca como uma das prioridades da empresa. «Precisamos de contributos de pessoas com experiência para nos apoiarem nas tomadas de decisão», refere. O responsável já tinha admitido que a empresa estava empenhada «em alcançar a estabilidade laboral na Altice Portugal, um objetivo que também passa pela abertura ao diálogo. Acreditamos que este órgão vem trazer um novo equilíbrio e uma visão de independência à gestão da relação com os nossos recursos humanos». 

O SOL sabe que as posições que têm sido tomadas pelos sindicatos face à vida interna da empresa, assim como o aproveitamento político em torno da Altice Portugal, têm causado algum mal-estar junto da operadora, por considerar que as decisões não estavam a ser bem comunicadas externamente, criando algum ruído em torno da sua atividade.

Recorde-se que a operadora de telecomunicações PT, detida há dois anos pela francesa Altice, tem sido alvo de protestos por motivos laborais, uma situação que a empresa pretende resolver com a criação deste novo órgão. No verão provocou muita polémica a mudança de 155 funcionários da PT para outras empresas - Tnord, Sudtel, Winprovit e ainda Visabeira -, recorrendo à figura jurídica de transmissão de estabelecimento. 

Os sindicatos têm acusado também a empresa de ter uma «visão estreita e totalmente virada para a redução de custos e o aumento de mais-valias para os donos do grupo», colocando «pressão sobre trabalhadores para rescisões», levando a cabo «desqualificações profissionais» e colocando «centenas de trabalhadores sem ocupação efetiva diária».