Sociedade

Fizz: Costa entende posição de Angola

Primeiro-ministro considera que deve ser feito um esforço para compreender as posições do MP português e de Luanda.

O primeiro-ministro disse esta semana entender a posição de Luanda sobre o processo em que o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente está acusado de corrupção. Numa entrevista à Visão, António Costa afirmou mesmo que caso um Presidente português ou um primeiro-ministro fossem alvo de um inquérito-crime num outro Estado também Lisboa tentaria fazer valer as imunidades a que têm direito.

Questionado sobre quando seria explicado a Angola que o poder político em Portugal nada pode fazer para influenciar a Justiça, Costa deixou clara a sua posição: «Portugal não tem de dizer nada de especial a Angola, cada um dos países aplica as suas leis, soberanamente».

Segundo o primeiro-ministro, a Operação Fizz não está a ter consequências maiores, nem a interferir nos negócios nem no dia-a-dia dos portugueses que vivem naquele país.

«O Presidente João Lourenço já esclareceu, após encontros comigo em Abidjan e em Davos, que, com exceção de visitas dos Presidentes da República ou primeiros-ministros dos respetivos países, tudo o resto, do ponto de vista económico, social, político, tudo decorre na normalidade», disse.

E afirmou mesmo que se devem entender as várias posições: «Todos devemos fazer um esforço para compreender as posições de uns e de outros. As autoridades judiciais portuguesas dizem ter razões para julgar um cidadão angolano. Esse cidadão goza de imunidade no seu país... As autoridades desse país entendem que devem preservar essa garantia, não creio que devamos desconsiderar isso». 

Nessa sequência, o primeiro-ministro esclarece que provavelmente Portugal teria uma atitude igual à que Angola está a ter se fosse confrontado com uma situação destas. «Se num Estado estrangeiro fosse levantado um processo-crime contra o nosso Presidente da República, contra o primeiro-ministro ou contra deputados, muito provavelmente Portugal também diligenciaria no sentido de preservar as imunidades de que essas entidades gozam no nosso país...», concluiu Costa.