Internacional

Puigdemont. Alemanha torna-se "protagonista da crise catalã"

Instituto que dá assessoria ao governo de Merkel adverte para o papel que Madrid lhe está a dar

“Pressionar no sentido de uma solução negociada entre Barcelona e Madrid”. O Stiftung Wissenchaft und Politik (SFW), o instituto político que dá assessoria ao governo de Angela Merkel, alerta no seu site para o perigo que o executivo alemão corre ao ser arrastado por Espanha para a questão catalã.

Numa altura em que todos aguardam a decisão da justiça alemã sobre o pedido de extradição de Carles Puigdemont para Espanha - o ministério público de Schleswig Holstein poderá decidir já hoje -, o SWP recomenda que, agora que Berlim se tornou “protagonista da crise catalã”, a melhor decisão será insistir com o executivo de Mariano Rajoy para encontrar através do diálogo uma forma de ultrapassar a crise política.

Mesmo não querendo, a Alemanha “faz parte do conflito interno espanhol entre Madrid e Barcelona, onde todos os indícios apontam para uma escalada porque as posições se extremaram”. E com o conflito cada vez mais internacionalizado, o governo de Merkel não pode lavar as mãos e deixar o processo apenas na mão da justiça. Porque nesta situação, a opinião pública internacional não olha para o caso como sendo meramente judicial, mas como uma ofensiva do governo de Madrid contra políticos que defenderam determinadas ideias e foram eleitos por elas.

O think tank considera que o processo judicial “é visto como um elemento mais da perseguição política contra os movimentos independentistas” e, como tal, recomenda que o executivo de Angela Merkel “envie sinais de desanuviamento” e que proponha o governo basco como mediador no conflito, papel que a Alemanha não pode, de todo, desempenhar.

Quem não parece aberto a outra resolução da questão que não seja a extradição de Puigdemont é o governo de Mariano Rajoy. Ainda ontem o ministro da Justiça, Rafael Catalá, o disse: “A única hipótese com que trabalhamos é essa”, a da extradição. “A confiança mútua entre países sócios do mesmo clube, que nos reconhecemos como democracias, assegurará que essa entrega se produza”, acrescentou o ministro.

Luta não violenta

Entretanto, ontem, o advogado de Puigdemont em Espanha, Jaume Alonso Cuevillas, apresentou um recurso no Supremo Tribunal contra a acusação de rebelião e desvio de fundos do ex-presidente catalão e dos ex-conselheiros Clara Ponsatí e Lluís Puig. Diz o advogado, segundo o “El País”, que no referendo ilegal da independência, realizado a 1 de outubro, não houve nenhum tipo de violência, mesmo que alguns cidadãos possam ter-se excedido na resistência passiva.

Tanto esses como alguns outros excessos na resistência pacífica de 20 de setembro, frente ao departamento de Economia, em Barcelona, “não podem de nenhuma maneira ser imputados aos acusados, pois tratam-se de episódios completamente isolados que não permitem sustentar a existência de uma violência de entidade suficiente para integrar o tipo de rebelião”.