Economia

Carlos Tavares. O economista por vocação e músico por paixão

Carlos Tavares acaba de assumir a liderança no Montepio. Com uma longa carreira na banca, o economista teve uma breve passagem como ministro no Governo de Durão Barroso quando assumiu a pasta da Economia e esteve quase uma década aos comandos do órgão regulador CMVM. Mas é na música que encontra outra das suas grandes paixões. Canta e toca vários instrumento desde os seis anos.

Carlos Tavares é o novo homem forte da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). Já assumiu funções e, para já, vai acumular o cargo de chaiman e de CEO da instituição financeira até que seja escolhido e aprovado pelos órgãos reguladores - Banco de Portugal e Banco Central Europeu – o novo presidente do banco. Economista de formação, nasceu em Estarreja em 1953, e grande parte do seu percurso profissional foi dedicado ao setor financeiro. No entanto, o seu rosto tornou-se conhecido pelos portugueses quando foi escolhido para liderar a pasta de Economia no Governo de Durão Barroso, entre 2002 e 2004. É sucedido por Álvaro Barreto no mandato curto de Pedro Santana Lopes. Mais tarde, assume a presidência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), cargo que ocupa quase 10 anos (entre 2005 e 2016), dando lugar a Gabriela Figueiredo Dias.

O nome de Carlos Tavares para liderar o banco não foi a primeira escolha do acionista. A Associação Mutualista Montepio Geral (dona de 100% do banco) chegou a anunciar Nuno Mota Pinto para ficar à frente da instituição financeira para dar o rumo de banco social, projeto há muito tempo defendido por Tomás Correia, mas que tem vindo a sofrer alguns percalços, nomeadamente com a incerteza da entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e restantes misericórdias. A escolha de Mota Pinto teve de ficar para trás, assumindo ainda assim funções de administrador executivo, depois de notícias darem conta de que o seu nome estava na lista de devedores do Banco de Portugal devido a um crédito de 80 mil euros que estava em incumprimento.

O que é certo é que Carlos Tavares assumiu o cargo num banco que, por várias foi vezes, foi alvo de crítica por parte do responsável enquanto presidente da CMVM.

Trabalho feito

Sob a presidência de Carlos Tavares, a CMVM implementou várias reformas regulatórias que abrangeram amplas matérias, como o governo das sociedades cotadas, prevenção e combate ao abuso de mercado de capitais, produtos financeiros complexos, ofertas públicas de aquisição, sistema de indemnização aos investidores, auditoria, entre outras.

Quando abandonou o cargo deixou uma garantia: «Hoje, temos regulação e supervisão melhor, mais moderna. Acho que a CMVM fez o melhor que era possível fazer. Eu sou suspeito para o dizer, mas penso que teve sempre uma atitude muito frontal, muito direta e muito profissional». E muito independente face ao poder político, sublinhou, ao lembrar que trabalhou diretamente com vários ministros das Finanças - Fernando Teixeira dos Santos, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque.

Após uma década na supervisão, o novo líder do Montepio tem no seu currículo a passagem pelo BPA, companhia de seguros Bonança, Unicre, CGD e BNU, além da SIBS e dos bancos Chemical Finance e Santander de Negócios Portugal. À data da saída do órgão regulador, não escondia a sua vontade de regressar ao setor financeiro, considerando «excecional» a sua passagem pela política.

A outra faceta

O economista canta, compõe e toca bateria, acordeão, guitarra e piano. Costuma dizer que nasceu a ouvir música. O seu pai tinha um conjunto musical tradicional e ensaiava em casa. «Aos seis anos comecei a sentar-me à bateria, até que aos dez anos o lugar do baterista do grupo vagou e eu ocupei-o», revelou numa entrevista ao SOL. Por desejo do pai, aprendeu também solfejo e a tocar acordeão. 

Na década de 60 chegou às estações de rádio a música anglo-saxónica. Era o tempo dos Beatles. «O acordeão passou de moda. Comecei a tocar guitarra elétrica e tive o meu próprio grupo musical, Os Lordes», revelou. Até que aos 17 anos foi estudar Economia para o Porto e o seu papel de músico conheceu um primeiro intervalo, mas não por muito tempo. Mas quando terminou a licenciatura, tornou-se professor na Faculdade de Economia e, ao mesmo tempo frequentava o Conservatório. «Fui estudar educação musical, guitarra clássica e fiz um ano de composição».