Politica

CDS diz que solução para a Cultura "vem tarde"

O CDS requereu um debate de urgência sobre Cultura para esta sexta-feira de manhã. Os centristas não poupam críticas ao ministro, que dizem estar a ser responsável por manter a austeridade no setor cultural, deixando sem estruturas de cultura "várias capitais de distrito do interior".
 

Teresa Caeiro diz que a confusão no concurso de apoio às artes é mais uma prova de que "depois da expectativa criada a todos, na Cultura não se virou a página" da austeridade.

"Já não há desculpas", começou por dizer Teresa Caeiro no início do debate, recusando a ideia de que o Governo se possa escudar na herança do passado "dois anos, quatro meses e onze dias depois da tomada de posse" para explicar os problemas que se vivem na Cultura.

Teresa Caeiro atacou a forma como foi gerida a polémica do concurso de apoio às artes, descrevendo-a como o retrato de um ministro desautorizado e de um secretário de Estado a contrariar o primeiro-ministro.

A centrista frisou o facto de o ministro da Cultura ter sido chamado a São Bento "para dar explicações como se fosse um embaixador estrangeiro" e criticou as mudanças de opinião no Governo sobre o modelo de concursos.

"Tivemos um secretário de Estado da Cultura que mudou o modelo de apoio às artes porque era "obsoleto" e por isso fez um novo, atrasando em mais de um ano e meio o concurso. E quando chegam os resultados o ministro da Cultura diz que está "aberto a repensar" o modelo. Ou seja, ficou absoleto numa só semana!", afirmou a deputada do CDS, ironizandop com a "maravilha da articulação um secretário de Estado que desmente que o primeiro-ministro tenha ficado surpreendido".

Para Teresa Caeiro, os três reforços de verba entretanto anunciados num total de 4,2 milhões de euros já não conseguem esconder os problemas gerados na Cultura pelo novo modelo de concurso que fez, por exemplo, que "várias capitais de distrito do interior" tenham ficado sem estruturas culturais por falta de apoios.

"Vem tarde: chega a solução passada mais de metade da legislatura, passados todos os prazos do concurso, no meio da instabilidade", afirma a centrista.

"É este o Estado da arte: temos um Governo que recua e não avança", lamenta.