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O congelamento das rendas vai voltar

O PS é pródigo em lançar cascas de banana para o chão, convém que PSD e CDS não as pisem. Esta semana tivemos a casca de banana da Cultura. O PS voltou a dar dignidade de ministério à Cultura (e bem, a meu ver), mas não lhe deu o dinheiro que a Cultura merece e precisa. É obvio que, face à situação, António Costa - a um ano das eleições europeias - arranjaria sempre umas verbas para a Cultura. Portanto, não convém a direita fazer um caso onde ele não existe. 

Dramas são a habitação e a saúde dos portugueses, logo os maiores problemas políticos e o maior embaraço do Governo e dos partidos que os apoiam. 

Quando estavam na oposição, as esquerdas diziam ter soluções; dois anos e meio volvidos, o SNS está muito pior e a situação da habitação piora a cada dia que passa. Para esses, sabe António Costa que não tem solução nem varinha de condão, pois se consegue arranjar uns tostões para a Cultura não tem milhões para casas e hospitais. 

Em Lisboa, em abril de 2015, mal assumiu funções, Medina prometeu 7.000 casas com renda acessível. Foi a grande promessa,  seriam lançados 15 concursos para construir essas casas. Antes das eleições de 2017 (em junho e agosto) foram lançados dois que nunca foram fechados, nem foram feitas adjudicações. 

Seis meses volvidos do novo mandato - onde, para além do PS e do partido de Helena Roseta, já temos o BE no executivo - não há concursos alguns. Por isso, começa a mudança de discurso. 

Ricardo Robles, o vereador bloquista no executivo lisboeta, em entrevista recente, já veio declarar que o problema das casas em Lisboa é culpa do Governo de Passos, do PSD e do CDS. Sobre as 7.000 casas e os concursos da renda acessível, passou como cão por vinha vindimada. Já na Assembleia Municipal de Lisboa, a vereadora Paula Marques, do movimento de Helena Roseta, questionada sobre o tema, teve a mesma resposta: o problema das casas resolve-se no Parlamento e por alteração da Lei das Rendas. 

A própria Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e simultaneamente deputada do PS, está neste momento na Assembleia da República a protagonizar o assunto.

Ou seja, depois de três anos a enganar as pessoas em Lisboa com a conversa das 7.000 casas em renda acessível (não há sequer concursos, quanto mais casas), vamos ver a grande patranha sobre um putativo regresso ao congelamento das rendas. 

O PS jamais congelará as rendas e vai acender para sempre velinhas a Santo António por ter sido um Governo PSD/CDS a ficar com o odioso de as ter descongelado. Porém, estamos em tempo eleitoral, e é preciso ‘calar o povo e os jornais’. 

O congelamento das rendas vai voltar ao debate politico. Convém que o PSD e o CDS não se espalhem ao comprido. 

sofiarocha@sol.pt