Problema do Novo Banco está em 44 créditos, diz António Ramalho

O presidente executivo do Novo Banco diz que “o grosso dos problemas” de imparidades está em 44 créditos. Mas António Ramalho revela também, em entrevista ao Jornal de Negócios, que “a auditoria [a créditos criticados] não detetou nada de especial”.

António Ramalho revela hoje em entrevista ao Jornal de Negócios que há 44 créditos onde está “o grosso dos problemas” das imparidades do Novo Banco, mas não revela a identidade dos devedores.

“Como pode imaginar não lhe vou dar nomes”, responde ao diário, adiantando que mais de 50% são relativos a créditos out of strategy, que “têm como característica o facto de ou serem créditos imobiliários sem garantias ou serem créditos por exemplo à compra de empresas com garantias de ações” ou serem créditos sobre atividades em relação às quais o banco não tem “qualquer apetite de risco” como atividades desportivas, partidos políticos ou atividades religiosas.

A estratégia para lidar com o problema, explica o presidente executivo do Novo Banco, tem sido a de reduzir o montante destes créditos.

“Só para ter uma ideia, nós tínhamos cerca de 6 mil milhões nos cinco maiores credores do banco. Hoje, temos menos de metade disso. Dos três maiores credores do banco todos estavam acima dos mil milhões. Neste momento, só temos um que está acima dos 500 [milhões]. Tudo isso foi reduzido”, afirma António Ramalha, adiantando que a maior parte destes credores estão no estrangeiro.

“O que se verificou é que as geografias mais afetadas não eram as geografias portuguesas. Eram afetações que estavam sobre investimentos imobiliários que tinham sido feitos no Brasil, ou que tinham sido feitos em Angola, ou que tinham alguns efeitos negativos”, aponta o gestor, que revela não ter encontrado situações passíveis de serem enviadas para a Procuradoria-Geral da República.

António Ramalho diz que não encontrou no Novo Banco “nenhum caso específico de elevada dimensão” com contornos criminais. “Julgo que antes do meu período algumas dessas questões já estavam enderaçadas”, justifica.

Ramalho recusa, porém, uma resposta direta à pergunta sobre se vê favores ou atos de gestão duvidosa na atribuição destes créditos.

“Do lado do Novo Banco, acho que o resultado fala por si: a qualidade do crédito não era a melhor. Mas não é um problema [apenas] do Novo Banco”, limita-se a responder.