Sociedade

Vítima do Estado Islâmico pede para Portugal reconhecer genocídio dos yazidi

Farida Khalaf está atualmente refugiada na Alemanha e foi recebida por vários representantes das Comissões de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas. No encontro, recordou os abusos de que foi alvo enquanto esteve em cativeiro pelo grupo extremista do Estado Islâmico em 2014 e deixou um pedido. 

Farida Khalaf vivia em Kocho, na zona de Sinjar, quando o Estado Islâmico atacou a sua aldeia. O seu pai e o irmão mais velho foram mortos e ela foi levada pelos jihadistas, altura em que ficou em cativeiro por parte do grupo terrorista, tendo acabado por sobreviver ao massacre.

Durante o encontro, contou aos deputados que na altura foram constituídos dois grupos – um com destino à Síria e outro que ficava no Iraque, destino do qual fazia parte. "Atacaram-me, atacaram a minha família e a aldeia. Destruíram todos os sonhos que tínhamos", recordou Farida.

Farida Khalaf contou no ano passado, durante as Conferências do Estoril, que foi vendida como escrava sexual, violada e violentamente espancada. Tentou matar-se quatro vezes. Sobreviveu, fugiu e agora tem como um único sonho "ver os militantes do ISIS (Estado Islâmico) em tribunal".

A jovem yazidi – comunidade étnico-religiosa – sublinhou que fala em nome de todos os membros que estiveram em cativeiro e continuam a viver em centros de refugiados. "Um dos meus maiores sonhos é que seja reconhecido o genocídio", disse a jovem.

Farida estava acompanhada de Teresa Violante, diretora das Conferências do Estoril, e dos representantes oficiais em Portugal da Organização Yazda.

"A instância própria à luz do direito internacional para julgar, para avaliar, para indagar, para inquirir (...) é o Tribunal Penal Internacional (TPI) e não uma qualquer instância nacional", disse Teresa Violante.

No entanto, o recurso ao TPI "não é fácil" e a Organização Yazda tenta afincadamente que instituições e países reconheçam formalmente a existência de um genocídio contra os yazidi, de forma a pressionar o Conselho de Segurança da ONU.

A jovem yazidi pediu que Portugal se juntasse ao Reino Unido, a França e ao Canadá, uma vez que estes países já reconheceram formalmente o genocídio dos yazidis.

"Tudo faremos a nível da comissão e do partido (PSD) para reconhecer estes crimes cometidos contra a humanidade como um genocídio", assegurou José Cesário, da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.