Internacional

Educação. Aprender aos seis anos que “há que morrer ou triunfar”

Governo espanhol quer pôr as crianças a aprender o valor das forças armadas e a cantar “La banderita”

O hino da Armada espanhola que as crianças dos seis aos 12 anos vão ter de passar a aprender na escola fala em crucificar--se pela pátria e inclui esta passagem: “Há que morrer ou triunfar, que a história nos ensina em Lepanto a Vitória e a morte em Trafalgar.”

Não é a única letra que fala de morte entre aquelas que o governo espanhol pretende que a escola ensine aos mais novos. Há também o pasodoble “La banderita” (o hino do exército espanhol nas guerras de Marrocos) que, num elogio à bandeira, refere: “No dia em que eu morrer/ se estiver longe da minha pátria/ só quero que me cubram/ com a bandeira de Espanha.”

Dois anos depois de os ministérios da Educação e da Defesa terem assinado um acordo para promover nas escolas o mundo militar e a segurança, surgiu agora um documento de 240 páginas (Projeto de conhecimento da segurança e defesa nos centros educativos), com temas a desenvolver nos primeiros anos de escolaridade (nas aulas de Valores Sociais e Cívicos, alternativa às de Religião) que incluem a aprendizagem de várias marchas militares e muitos exercícios que visam “melhorar o conhecimento que os menores e jovens têm sobre a segurança e a defesa de Espanha”.

O manual, dividido em dez unidades temáticas, foi elaborado pelo Centro Nacional de Inovação e Investigação Educativa, que depende do Ministério da Educação, que agora está a desen-volver conteúdos para os estudantes do ensino secundário.

María Dolores de Cospedal, a ministra da Defesa, refere, citada pelo eldiario.es, que o seu ministério “tem como objetivo e obrigação promover o desenvolvimento da cultura de defesa e, por isso, tem a obrigação de que se conheça, se valorize e desta forma se possam entender melhor os esforços solidários e efetivos que realizam os integrantes das Forças Armadas”. “Porque é mau ensinar às nossas crianças os valores que são próprios das forças armadas, como a solidariedade, a defesa do seu país, o espírito de equipa, o trabalho de equipa, a responsabilidade pelo que cada um faz em defesa dos valores constitucionais?”, deixa a ministra.