Opiniao

Campeões do ténis medidos aos palmos

John Isner bateu em Miami alguns recordes. Aos 32 anos tornou-se no mais velho jogador a triunfar num Masters 1000 e, com 2,08 metros, passou a ser o mais alto campeão em torneios desta categoria.

Quando comecei a escrever sobre ténis, no início dos anos 80 do século passado, Bjorn Borg era um jogador alto com 1,80 metros.

Mais tarde, Andrés Gomez impôs-se em Roland Garros em 1990 com 1,93 metros e ainda foi apelidado de ‘bom gigante’.
No início da década de 2000, Roger Federer e depois Rafael Nadal, com os seus 1,85 metros, estavam um pouco acima da média e ainda hoje, num ano em que têm dividido entre si o n.º 1 mundial, são apontados como a estrutura ideal para o ténis, embora um mais longilíneo e outro mais musculado.

Do ‘Big Four’, que dominou o ténis de modo arrasador nas duas últimas décadas, só Andy Murray (1,91 metros) supera os 1,90 metros. Novak Djokovic atinge os 1,88 metros.

Estamos ainda longe dos 2,08 metros de John Isner, mas se analisarmos com mais cuidado, verificaremos que a estatura média de campeões no ATP World Tour está a subir, acompanhando o que parece ser um fenómeno na espécie humana.

Há uma semana escrevi que os seis últimos Masters 1000 foram ganhos por seis jogadores diferentes. Vamos verificar as suas alturas? Sasha Zverev 1,98; Grigor Dimitrov 1,91; Roger Federer 1,85; Jack Sock 1,91; Juan Martin Del Potro 1,98; e John Isner 2,08! O veterano Federer é o mais baixo!

Mas olhemos também para os vencedores de torneios ATP de outras categorias em 2018: Nick Kyrgios (1,93) em Brisbane, Gael Monfils (1,93) em Doha; Daniil Medvedev (1,98) em Sydney, Kevin Anderson (2,03) em Nova Iorque, Karen Khachanov (1,98) em Marselha e os já referidos Del Potro (1,98) em Indian Wells e Isner (2,08) em Miami. 

Nos primeiros 20 torneios do ATP World Tour de 2018, sete foram arrebatados por jogadores com mais de 1,90 metros. Terá deixado de haver espaço para os ‘minorcas’, o que seria uma má notícia para os melhores portugueses?
Claro que não e Diego Schwartzman, expressivamente alcunhado de ‘El Peque’, ganhou no Rio de Janeiro com os seus (oficialmente inflacionados) 1,70 metros.

O público também interiorizou a tendência. Há uns anos, Ivo Karlovic dizia à Tennis Magazine que os espetadores encaravam os seus 2,11 metros como uma vantagem injusta e tendiam a apoiar mais os seus adversários.

É o complexo de Pequeno Polegar dos contos de fadas, nos quais os gigantes são quase sempre maus.

Mas tal como na Guerra dos Tronos, também no ténis há gigantes como Del Potro e Isner que são cada vez mais populares e despertam uma simpatia generalizada.