Desporto

Bas Dost. O adeus precoce à seleção após parceria falhada

Três anos depois de ter feito o primeiro jogo pela equipa principal da Holanda, Bas Dost renunciou à seleção. Porém, casos semelhantes ao do holandês não faltam. Messi e Ibrahimovic também já tomaram essa decisão. O argentino voltou atrás e o sueco poderá estar (muito) perto disso. Em Portugal, Rui Costa, Luís Figo e Pauleta também se despediram da equipa das quinas antes de pendurarem as botas

As razões são diversas e, por vezes, parece não ser preciso sequer uma lista com os prós e os contras para tomar a decisão. Falamos do adeus à seleção por parte de um jogador. Mais concretamente de Bas Dost, o futebolista do Sporting que se tornou o caso mais recente no que a renunciar à sua equipa nacional diz respeito. A notícia do adeus do ponta-de-lança de 28 anos à seleção holandesa chegou esta terça-feira. Na origem da resolução, explicou o próprio atleta, um desconforto contínuo que se tornou incontrolável desde a última convocatória feita pelo selecionador da Laranja Mecânica – no mês passado, de março, altura em que a Holanda defrontou Inglaterra e Portugal, em jogos particulares que tinham em vista a preparação para o Mundial2018, na Rússia. No encontro com a seleção inglesa, jogo em que o atleta leonino somou 66 minutos, a Laranja saiu derrotada por 1-0 e, dias depois, no jogo frente à seleção portuguesa, o atacante acabou por ser suplente não utilizado numa partida em que os comandados de Ronald Koeman triunfaram por 3-0, naquela que foi a pior derrota na campanha Fernando Santos.

“Nunca correu bem com a seleção, por qualquer motivo. Cheguei ao momento em que tenho de dizer ‘até aqui e não mais longe’. Simplesmente não funciona”, comentou Dost em entrevista ao jornal holandês “AD Sport”, num momento em que confessou ter-se sentido “destruído durante uma semana”.

De resto, o futebolista adiantou que esta decisão, final, foi “discutida com pessoas próximas” e “pensada há bastante tempo”.

Seleção vs. Clube

Dost estreou-se em março de 2015 pela seleção holandesa, sob o comando de Guus Hiddink, tendo alinhado em 18 jogos e apontado apenas um golo, num triunfo sobre o País de Gales (3-2), num particular.

O facto de não ser visto como um titular indiscutível e a escassez de golos deverão ser, aliás, as principais razões para a desmotivação e consequente saída da Laranja do antigo jogador do Wolfsburgo e Heerenveen. Sendo um jogador que se destaca pela veia goleadora – desde que aterrou em Alvalade, em 2016, Dost soma 68 golos em 84 jogos oficiais, já contando na presente época com 32 golos em 43 jogos, e é atualmente o segundo melhor marcador no campeonato português –, os números podem mesmo ser o indicador que melhor explica o fracasso desta parceria.

O rendimento do holandês, numa comparação rápida entre clube e seleção, já tinha merecido, aliás, comentários por parte do selecionador holandês. “O Sporting é muito forte em Portugal e joga sempre para ganhar títulos. Muitas vezes passa os jogos na área contrária, onde ele evidencia a sua qualidade nos cruzamentos, pois é bom de cabeça. A seleção [holandesa] joga agora mais atrás. Assim, claro que é mais difícil para ele ter o mesmo rendimento. Somos mais defensivos do que ele está habituado”, comentou em março, antes do jogo amigável com Portugal. Com a confirmação da despedida de Dost, Koeman foi lesto a reagir. Numa declaração prestada à Federação de Futebol Holandesa, o selecionador da Laranja lamentou a posição do avançado, garantindo ainda que o jogador do Sporting não era uma carta fora do baralho. “Bas Dost falou comigo pessoalmente. Tenho pena que ele pare, teria lugar para ele na seleção”, esclareceu, num momento em que confirmou que sabia da existência deste pensamento “há já algum tempo.”

De Lionel Messi a Rui Costa

Só o ano de 2016 teve dois anúncios de despedida das respetivas seleções de dois protagonistas do futebol mundial. O jogador argentino Lionel Messi disse adeus à seleção após perder a final da Copa América do Centenário diante do Chile, nas grandes penalidades – num desempate, recorde-se, em que Lionel Messi foi um dos argentinos a falhar. Após quatro finais perdidas ao serviço da Argentina, La Pulga achou que era a gota de água. “Para mim, a seleção nacional acabou. Fiz tudo o que podia, dói não ser campeão”, disse, à data, o capitão do conjunto albiceleste. Apesar da derrota em que Messi até foi um dos “culpados”, o anúncio do adeus deixou os argentinos em choque. O movimento #NoTeVayasLio depressa inundou as redes sociais e deu resultado. Dois meses depois de se ter despedido, o astro do Barcelona voltou atrás na sua decisão. “Amo demasiado o meu país e esta camisola”, referiu em comunicado. Foi precisamente pela mesma altura, junho de 2016, que Zlatan Ibrahimovic confirmou a sua despedida da seleção sueca: o avançado de 36 anos está retirado da seleção da Suécia após o último Europeu. Contudo, e apesar de uma ausência de quase dois anos, muitos acreditam que este não será o fim. A probabilidade de um regresso do sueco à seleção tem vindo a ganhar cada vez mais força, sobretudo desde que o avançado de 36 anos se mudou para os LA Galaxy, da liga norte-americana de futebol (MLS). Com um protagonismo que não tinha no Manchester United, esta poderá ser a última oportunidade para Zlatan voltar a estar presente, 12 anos depois, num Campeonato do Mundo (desde 2006 que os suecos não se apuravam).

Em Portugal, destaque para os casos de Rui Costa, Luís Figo e Pauleta. O “maestro”, que somou 94 internacionalizações e 26 golos, deixou a seleção depois do Euro2004, em que Portugal chegou à final e perdeu com a Grécia. Depois de renunciar à seleção, o médio jogou mais quatro temporadas (divididas entre Milan e Benfica, onde terminou a carreira). Já Pauleta (88 jogos, 47 golos) e Figo (127 internacionalizações, 32 golos), que se estrearam pela equipa das quinas em 1997 e 1991, respetivamente, renunciaram após a despedida de Portugal do Mundial2006, disputado na Alemanha. Depois do adeus à formação portuguesa, Pauleta representou os franceses do PSG por mais dois anos, até 2008, enquanto Figo permaneceu pelos relvados até 2009, em Milão, pelo Inter.