Internacional

Nuclear. A UE distancia-se dos EUA sobre o Irão ter um programa secreto

Os europeus e a Austrália distanciam-se da retórica do presidente Donald Trump, que se prepara para romper o acordo com Teerão 

O presidente francês, Emmanuel Macron, mostrou-se partidário, na quarta-feira, de procurar um acordo nuclear mais amplo com o Irão, mesmo que os EUA decidam retirar-se do acordo que assinaram com um conjunto de outros países e o governo de Teerão em 2015. As declarações do presidente gaulês foram feitas já depois de o primeiro-ministro israelita ter acusado o Irão de ter um programa nuclear secreto, com supostos dados que foram posteriormente negados pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), encarregada de vigiar o cumprimento do acordo, como o i noticiou ontem.
“Não sei o que o presidente dos EUA decidirá a 12 de maio”, argumentou Macron aos jornalistas presentes em Sidney, no momento em que completa o segundo dia de visita oficial à Austrália, acrescentando: “Qualquer que seja esta decisão dos EUA, temos de preparar uma negociação para um acordo mais amplo, porque acredito que ninguém quer uma guerra ou uma enorme escalada de tensão naquela região.” 

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que anunciaria no próximo dia 12 de maio se se retira do acordo assinado entre o Irão e o G5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) que estabelecia os mecanismos de controlo do programa nuclear iraniano, para impedir que o desenvolvimento da energia nuclear na Pérsia escondesse a produção de armas nucleares em troca do fim das sanções internacionais a Teerão. 

Na segunda-feira, o primeiro--ministro israelita divulgou uns documentos alegadamente iranianos, que diz terem sido obtidos pelos seus serviços secretos, e que revelariam a existência de um programa nuclear iraniano oculto. Donald Trump apressou-se a qualificar as “revelações” israelitas como “muito sérias”, “reais” e “autênticas”. 

Por sua vez, o organismo encarregado de fiscalizar o cumprimento do acordado por parte dos iranianos, a AIEA, desmentiu o governo hebraico: “A agência não tem qualquer indicação credível de atividades no Irão relevantes para o desenvolvimento de um dispositivo explosivo nuclear depois de 2009”, refere em comunicado a organização. Baseado no relatório do diretor-geral, o conselho de governadores da AIEA declarou que a sua consideração sobre o assunto está encerrada.

É baseados nestas informações que os dirigentes europeus, como o presidente francês, afirmam que a manutenção de um acordo é a melhor maneira de impedir uma escalada militar na região que poderia conduzir a um conflito global. 
Na sua visita à Austrália, Macron sublinhou que se devia respeitar o acordo assinado pelos vários países e que, para ele, o “pacto com Teerão” era “um ponto de partida” que é necessário ampliar para ir mais além do que no ano de 2025, para conseguir conter as ações do regime iraniano na região e controlar o desenvolvimento de novos mísseis balísticos iranianos. O primeiro-ministro australiano. Malcolm Turnbull, que dirige um governo de um país tradicionalmente seguidor da política de Washington, apoiou o seu homólogo na defesa daquilo que foi assinado com o Irão: “É a melhor opção que temos disponível e apoiamos a sua continuidade.”

Posição similar teve o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, que afirmou que o acordo não se baseia na “confiança” em relação ao Irão, mas “numa verificação rigorosa” dos termos do acordo, e que, sem uma violação comprovada deste, é favorável à sua manutenção.