Sociedade

Fizz. O que disse a irmã do procurador

Ouvida esta semana, Maria Figueira garantiu que sempre se opôs ao ‘acordo de cavalheiros’ entre o irmão e o advogado Daniel Proença de Carvalho. 

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A irmã do procurador Orlando Figueira foi a principal testemunha ouvida esta semana, tendo a sua audição se prolongado por dois dias. No primeiro, começou por dizer que o irmão era ingénuo, chegando a descrevê-lo como «totó». Maria Figueira disse ainda nunca ter achado normal que o antigo procurador tivesse celebrado um «acordo de cavalheiros» com Daniel Proença de Carvalho para omitir da Justiça inicialmente o nome de Carlos Silva e do próprio advogado, justificando que não pressionou mais devido à situação que estava a viver. Perante os juizes, disse que soube do tal acordo na primeira visita que fez ao irmão na Prisão de Évora: «Já alguma vez teve alguém nestas condições? Quando se tem, não há discernimento. Eu estava ali na primeira visita... eu parto do princípio de que o meu irmão é inocente, que alguma coisa correu mal e ele diz que tinha feito aquele acordo de cavalheiros.»

«Achei que ele estava a ser totó, porque estava a salvaguardar quem não fazia nada por ele», reforçou a irmã do antigo procurador, revelando que a partir de determinada altura começou a discordar do irmão e da sua estratégia de defesa – liderada pelo advogado Paulo Sá e Cunha. Até porque considera que neste caso só havia um cavalheiro: Orlando Figueira.

As cartas que a defesa tirou da manga

Sobre Sá e Cunha, Maria Figueira disse que ambos tiveram pelo menos três encontros, tendo o advogado chegado a dizer-lhe que se o irmão se mantivesse em silêncio seria recompensado com um bom trabalho em Angola.

Com o fim do julgamento Fizz cada vez mais próximo, a defesa de Orlando Figueira decidiu esta semana tirar mais um trunfo para tentar provar que o ex-procurador do DCIAP está a falar verdade quando diz que, nos interrogatórios judiciais, omitiu os nomes do banqueiro Carlos Silva e do advogado Daniel Proença de Carvalho para honrar um «acordo de cavalheiros» que terá feito com este último.

Em causa estão cartas escritas pela sua irmã ao administrador do BCP Iglésias Soares, datadas de 2016, onde tal «acordo de cavalheiros» já era mencionado.

Isto apesar de para a Justiça a versão de que foi convidado por Carlos Silva para trabalhar em Angola e que foi Proença de Carvalho que tratou da cessação do contrato de trabalho com a sociedade Primagest – que a defesa diz estar na esfera do banqueiro – só ter surgido no final do ano passado. Ou seja, imediatamente antes do início do julgamento e numa fase em que Figueira cortou relações com o advogado Paulo Sá e Cunha (que diz ter sido pago por Carlos Silva). Até aí, Orlando Figueira nunca tinha falado nesses nomes nem na conta que tinha aberto em Andorra e através da qual recebeu parte do dinheiro relativo ao seu contrato com a Primagest.

Apesar de as defesas de Orlando Figueira e do arguido Paulo Blanco – que defendeu o Estado angolano em diversos casos – terem alegado desde o início do julgamento que a Primagest não tem qualquer ligação a Manuel Vicente, mas sim a Carlos Silva, ao coletivo de juízes sempre causou alguma perplexidade que um magistrado tenha aceitado um acordo para omitir o nome de quem o contratou quando sobre si recaíam suspeitas tão graves.