Economia

Petróleo trepa e penaliza consumo

As cotações têm escalado nos mercados internacionais. Em Portugal, a gasolina vai voltar a aumentar, naquela que é já a sétima semana consecutiva de subidas. 

O preço dos combustíveis continua a subir nos postos de abastecimento nacionais. Na próxima semana, abastecer os veículos a gasolina será novamente mais caro. Desta vez, meio cêntimo. 

O preço da gasolina está, aliás, em máximos dos últimos três anos. Abastecer um carro com gasolina simples 95 vai custar, de acordo com fontes do setor, 1,5453, em vez dos 1,540 euros desta semana. Esta será a sétima semana consecutiva de subidas.

Os aumentos são justificados principalmente com o acompanhamento das cotações do petróleo nos mercados internacionais. Na semana passada, o preço do barril de Brent – que serve de referência para as importações nacionais – ultrapassou os 75 dólares, o que já não se registava há cerca de três anos e meio. Esta sexta-feira chegou a cotar nos 73,45 dólares.

As subidas registadas nos últimos tempos mostram que o ouro negro está novamente a ficar mais caro, graças ao esforço da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que tem lutado para reduzir a quantidade de petróleo no mercado e assim fazer subir os preços. 

Aliança para 20 anos

No mês passado, tanto a OPEP como a Rússia admitiram que há vontade de cooperar durante um período de dez a 20 anos. O objetivo é conseguir, ao longo deste tempo, diminuir ainda mais a quantidade da matéria-prima e pressionar a subida dos preços. A garantia foi dada pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que sublinhou a importância de existir este «acordo global» no sentido de reduzir a oferta da matéria-prima no mercado internacional. 

Inicialmente, não estava previsto que o acordo tivesse um horizonte tão largo. Mas tanto a Rússia como a Arábia Saudita pretendem manter a refinação em níveis abaixo do máximo possível. 

Depois de vários meses a discutir um acordo que permitisse um equilíbrio da oferta e da procura, vários países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) concordaram com a estratégia de prolongar a duração dos cortes.

A decisão não foi, no entanto, pacífica. Em setembro do ano passado nem todos os países da organização estavam de acordo. Os ministros dos países-membros da OPEP reuniram-se em Viena, com a discussão sobre outros prazos em cima da mesa. Mas, naquela altura, a Argélia, por exemplo, batia o pé e garantia que o que existia era apenas «um entendimento para meses».

Já nesta altura, a Rússia e a Arábia Saudita eram os principais defensores de um eventual prolongamento dos cortes. Agora, esta aliança entre OPEP e Rússia parece estar para durar. Além de ficar claro que este ano vão manter os cortes de forma a acabar com o excesso global, está sinalizada a cooperação para além desse prazo e as consequências nos mercados já se fazem sentir.

Mas não foi apenas este acordo que teve efeito nos preços que têm vindo a ser praticados. Em abril, a recuperação do mercado petrolífero também se ficou a dever a uma queda das reservas nos EUA. De acordo com o Departamento de Energia, os inventários recuaram 10,6 milhões de barris por dia, o que representava o valor mais baixo desde março de 2015. Um dos analistas da Rakuten Secutities, Satoru Yoshida, citado pela Bloomberg, dizia mesmo que «os investidores estão mais focados na queda dos inventários norte-americanos [do que no aumento da produção]». 

Rússia no comando

O facto de a Rússia ser um dos países que mais tem lutado para aumentar os preços ganha especial importância depois de ter assumido, em 2017, a liderança das importações portuguesas de petróleo. De acordo com um balanço publicado no mês passado pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), Angola desapareceu do pódio. O segundo maior fornecedor passou a ser o Azerbaijão, com 1,86 milhões de toneladas, seguido do Cazaquistão, com 1,67 milhões de toneladas. No seu conjunto, só estes três mercados preencheram 47% das importações portuguesas de petróleo.

No entanto, os números da Rússia são os que mais impressionam. Só nos primeiros cinco meses de 2017, Portugal pagou 527 milhões de euros à Rússia por este produto, um aumento de mais de 500% face ao mesmo período de 2016 (e 91% do total comprado a este país).

Este aumento da influência da Rússia enquanto país abastecedor põe assim um ponto final a um ciclo, iniciado em 2011, em que Portugal dava primazia a Angola. Em 2013, Portugal chegou a comprar a este país 4351 milhões de euros de hidrocarbonetos.