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Eurovisão. Cláudio Ramos acusa RTP de “boicote”, mas engana-se no alvo...duas vezes

Na última emissão do programa “Passadeira Vermelha”, da SIC Caras, Cláudio Ramos teceu duras crítica aos critérios de atribuição de acreditações de imprensa da RTP, mas com uma falha à mistura: o destinatário não estava certo. 

O apresentador acusou a televisão pública de “boicote” por causa da atribuição de acreditações à imprensa. “A mim parece-me muito mal, até parece vergonhoso e gostava mesmo de, se pudesse, abrir um inquérito e tentar perceber quem é que a RTP se julga para boicotar o trabalho das pessoas que fazem programas de televisão que promovem a Eurovisão”, começa por dizer Cláudio Ramos.

“A RTP ver a lista dos programas de televisão e dos jornalistas que se disponibilizam para, a custo zero, promover a Eurovisão e achar-se no direito de pôr um traço azul com uma fita métrica e dizer ‘este não vai’, isto na minha terra tem um nome…”, continuou.

Cláudio Ramos já se tinha mostrado pouco adepto do festival, tendo deixado bem clara a sua visão relativamente a este evento, onde afirmou que “a Eurovisão não é uma coisa da RTP" e que "será eventualmente uma coisa do mundo”.

As críticas não pararam por aqui. O comentador e apresentador disse que “até podia admitir” que o festival fosse “feito pela SIC”, uma vez que se trata de um canal privado, ou pela CMTV ou TVI.

No entanto, Cláudio Ramos enganou-se no destinatário, pois quem atribuiu as acreditações aos jornalistas não foi a RTP, mas sim a União Europeia de Radiodifusão.

“Houve muitos jornalistas que ficaram de fora. Em Portugal e em todo o mundo. Mas é assim todos os anos e o processo nunca é isento de críticas. A EBU tem mecanismos de controlo muito apertados, porque há logísticas a cumprir. Em Portugal, por exemplo, os órgãos de comunicação só puderam acreditar um elemento, apesar de ter havido casos em que pediram cinco e seis acreditações”, revelou à N-TV, fonte portuguesa da organização do evento, tendo acrescentado ainda que “os pedidos nem sequer eram dirigidos à RTP, mas sim à EBU, através de um formulário que estava num site da EBU”.

Esta terça-feira, Cláudio Ramos voltou a falar do assunto no seu perfil do Facebook, de forma a esclarecer a situação e as suas declarações durante o programa, adiantando que não se estava a referir a si quando criticou a organização, mas ainda assim voltou a errar.

“É verdade que eu acho que a RTP não pode nem deve proibir nenhum canal, programa ou profissional do meio de fazer a cobertura do Festival da Canção, mas não me referia a mim. Porque não pedi para o fazer, não solicitei nenhuma credencial e porque não iria nesta fase fazer a cobertura do Festival, por razões óbvias”, escreveu o comentador., lembrando que a “RTP é uma empresa pública”, e que é o dinheiro dos contribuintes “que ali está”.

“Gostava mesmo que fossem esclarecidos os critérios de escolha para atribuição de credenciais de quem faz a cobertura. Não por mim, que acho tanta graça ao Festival como acho ao Instagram da Madonna”, acrescentou.

Cláudio Ramos acabou por se enganar, mais uma vez, tendo revelado que desconhece por completo as regras do Festival da Eurovisão, pois a “primeira eliminatória”, como diz o apresentador, é a primeira semifinal.