Opiniao

A portuguesa, o inglês e os festivaleiros

A arte de comunicar e a elevação da beleza femininada mulher portuguesa releva muito mais do que uns pontapés na língua inglesa.

Os portugueses têm uma característica muito particular quando em contacto com estrangeiros: procuram sempre falar, ou fazer-se entender, na língua do seu interlocutor.

Quer isto dizer que, para os portugueses e usando terminologia futebolística, nem importa o ‘fator casa’.
Em Roma tenta falar italiano, em Paris francês, em Madrid castelhano, em Londres inglês e por aí fora. Até no Brasil, com o tempo, o português ganha o sotaque brasileiro, sendo que não se conhece brasileiro que por mais anos que viva em Portugal deixe de falar a língua cantada.

Mas já ao contrário, quando um estrangeiro aborda um português nas ruas do Porto, Coimbra, Lisboa, Faro, Funchal ou Ponta Delgada ou outra cidade ou terra lusa qualquer, é o português que faz o favor de falar ou se esforçar por falar a língua do seu interlocutor e nunca o contrário.
Pouco importa a gramática ou a pronúncia. Interessa fazer-se entender e comunicar.
Este fenómeno termina na fronteira.

Os espanhóis, por regra, não falam uma segunda língua nem se esforçam por falar. Quem quiser, seja português ou um ‘camone’ qualquer, que aprenda o castelhano, fale portuñol ou faça um desenho.

Curiosamente, com o Brexit, a Irlanda será o único país da União Europeia a ter no inglês a sua língua oficial. Porém, ninguém se lembrou ainda de propor que o inglês deixe de ser língua oficial da UE.

Até por via da massificação da internet e das redes sociais, a tendência mundial é que o inglês seja cada vez mais a língua falada e escrita – já para não reproduzir aquela comparação engraçada segundo a qual com a vulgarização dos emojis (e já há redes sociais em que a comunicação se faz exclusivamente com recursos a símbolos) recuamos uns milhares de anos e é como se estivéssemos a recuperar a escrita dos egípcios por hieróglifos, sendo os emojis os chamados hieróglifos da modernidade.

Vem todo este discurso a propósito das críticas arrasadoras, nas redes sociais e não só, à melhor e mais feminina apresentadora de televisão em Portugal, por causa dos pontapés na língua inglesa durante a apresentação do Festival Eurovisão da Canção, pela primeira vez com Lisboa como palco por efeito da vitória, no ano passado, de Salvador Sobral – o tal que, segundo o Presidente Marcelo, fez mais com a irmã por Portugal do que muitos diplomatas espalhados pelo mundo fora.

É um facto que, por muito que os senhores embaixadores protestem, o feito de Sobral e a canção Amar pelos Dois correu mundo e espalhou o nome de Portugal.

Como é um facto que a organização do Festival gera receitas, embora só muito dificilmente dê para acreditar que o investimento público de dezenas de milhões de euros tenha um retorno para Portugal e para a cidade organizadora superior a mais de 100 milhões.

Não dá para acreditar em tais contas e estimativas, muito menos quando se baseiam em estudos que somam tudo e mais alguma coisa e projetam os ganhos em anos a perder de vista.

O Presidente Marcelo não o disse, mas muito mais do que o Festival e os manos Sobral, vale Madonna ou Scarlett Johansson fixarem-se em Lisboa e colocarem nas suas páginas de Instagram e outras redes sociais os seus passeios pelas paisagens únicas de Portugal.

Como muito mais vale uma Catarina Furtado com a sua capacidade de comunicação e a sua beleza de mulher portuguesa, com uma presença feminina e apresentação com classe, mesmo que com gafes ou um ou outro pontapé no vocabulário ou na gramática inglesa, do que porventura outras com inglês muito mais fluído e correto.

Já lá vai o tempo da ‘Namoradinha de Portugal’, como era conhecida nos tempos em que era estrela da SIC.
Mas se Catarina ganhou maturidade, não perdeu alegria no sorriso nem brilho nos olhos.

Catarina não é vulgar (e assim saiba deixar passar por ela o tempo e a idade), é hoje muito mais e melhor apresentadora, mas é também boa atriz e, sobretudo, mulher e feminina.

Sílvia Alberto, Daniela Ruah e Filomena Cautela falam inglês muito mais fluído, sobretudo as duas últimas, e não mereceram críticas maiores e tão maldizentes como as que Catarina recebeu. Mas terão de me perdoar, não lhe ganham na capacidade de comunicação e de apresentação, nem na elegância e beleza, feminina, de mulher portuguesa.
Embora seja certo que, para o público da Eurovisão e do Festival da Canção, tais critérios há muito deixaram de ser relevantes. Basta olhar para todo o ambiente que o rodeia.