Sociedade

Almeida Rodrigues. “Saio com a sensação do dever cumprido”

Foi o diretor que mais tempo esteve à frente da Polícia Judiciária e deixa o cargo a 15 de junho. Ja há substituto: Luís Neves, do Contraterrorismo  

A mudança só foi anunciada ontem, num comunicado do Ministério da Justiça (MJ). Mas desde a semana passada já corriam rumores nos corredores de que a Polícia Judiciária (PJ) teria uma direção nova. 

Luís Neves vai ser o novo diretor nacional, assim que Almeida Rodrigues – que está à frente da instituição há dez anos – deixar o cargo. 

A tomada de posse só acontecerá depois de 15 de junho, data em que termina a terceira comissão de serviço do investigador de Coimbra. Almeida Rodrigues fica para a história da instituição por ter sido o diretor com o “mandato” mais longo: estava no cargo desde maio de 2008. E também por ter sido o primeiro a ser escolhido de entre os investigadores de carreira da PJ.  “Depois de  cerca de 40 anos de serviço público, saio com a sensação do dever cumprido”, disse ontem ao i Almeida Rodrigues, acrescentando ter tido “a felicidade de trabalhar bem com todos os ministros e de servir a PJ com excelentes profissionais, dedicados e competentes”.

O novo diretor nacional, Luís Neves, está atualmente à frente da Unidade Nacional de Contra Terrorismo. É licenciado em Direito e entrou na PJ em 1996, primeiro para a Direção Central de Combate ao Banditismo. Rapidamente chegou a coordenador superior e foi diretor nacional adjunto. No governo de Passos Coelho terá chegado a ser sondado para liderar a Judiciária, numa altura em que uma das comissões de serviço de Almeida Rodrigues estava a chegar ao fim. 

Prefere andar na rua

Pela Unidade Nacional de Contraterrorismo liderada desde 2009 por Luís Neves passaram casos mediáticos como a célula etarra em Óbidos, as máfias do Leste, os gangues do multibanco ou o holandês detido com uma faca no aeroporto que ficou conhecido como o “terrorista da Portela”. É também lá que está a correr a investigação ao assalto aos paióis de Tancos e foi nesta unidade que se investigou o caso do espião português detido em Itália por vender segredos nacionais. 
O novo diretor nacional é conhecido por gostar mais da rua do que do gabinete e é considerado um dos maiores especialistas do país em questões de terrorismo.

A reforma em Coimbra

Segundo o comunicado do Ministério da Justiça, Almeida Rodrigues “entendeu ter chegado o momento de deixar o cargo” e pediu para não lhe ser renovada a comissão de serviço, depois de um “largo tempo” à frente da PJ, “muitas vezes com sacrifício para os seus legítimos interesses pessoais e da sua família”.
Também o subdiretor Pedro do Carmo não quis continuar, preferindo regressar ao Ministério Público, de onde veio e onde é Procurador.  

Já Almeida Rodrigues – natural de Viseu, mas que chama “casa” a Coimbra – completa 60 anos a 10 de agosto e vai para a pré-aposentação. 

Planeia mudar-se para a cidade dos estudantes, onde está a família e deixa para trás o gabinete no edifício daquela que é para muitos a maior obra da história da Judiciária: a nova sede, inaugurada em 2014.
Almeida Rodrigues foi nomeado diretor nacional da PJ em 2008, por Alberto Costa, então ministro da Justiça do governo socialista de António Costa. Entretanto, na última década, foi reconduzido duas vezes por governos do PSD.