Olhar ao Centro

O futebol e a aproximação entre portugueses(as)

A Liga profissional de 2017-18 tem o FC Porto como um justo vencedor, ainda por cima vencendo duas equipas com bons jogadores, como são os casos do Sporting e do Benfica

«Na adversidade é que se fazem os grandes cálculos, e que se traçam os grandes planos».

Camilo Castelo Branco

 

Este é o fim de semana que assinala o final da Liga Portuguesa de Futebol e, na prática, o fim da época futebolística profissional referente aos anos de 2017-18. 

Com a final da Taça de Portugal, entre o Desportivo das Aves e o Sporting, a ocorrer durante este mês, ficaremos ‘apenas’ a aguardar pela participação da Seleção Nacional de futebol no campeonato mundial na Rússia (a convocatória com os nomes dos jogadores selecionados por Fernando Santos sairá já na próxima semana).

Com o sucesso e as alegrias que a Seleção nos tem dado, as épocas futebolísticas internas acabam cada vez mais cedo, para que a participação dos nossos selecionados possa ser preparada convenientemente. Apesar de serem cada vez mais os amantes do futebol a queixarem-se de que, num país como o nosso, com tanta luz, sol e bom tempo, deveria ser possível que as competições de futebol, enquanto desporto-rei, pudessem estender-se no tempo, pelo menos por mais um mês. Assim, os que gostam de futebol poderiam deslocar-se aos estádios na altura do ano em que dá maior satisfação estar fora de casa.

Em final de época, faz todo o sentido que se faça um balanço do futebol nacional. Do desporto que movimenta milhões de euros. Que sustenta direta e indiretamente milhares de postos de trabalho. Que permite todos os anos uma receita de dezenas de milhões ao nosso país, com a venda de tantos ativos dos clubes. De um setor relevantíssimo da nossa atividade económica. E que representa muito para a nossa vida coletiva e faz parte da nossa identidade nacional.

O Futebol Clube do Porto é o grande vencedor da Liga Portuguesa. Numa época que não foi fácil. Desde logo, com o aperto financeiro da UEFA, a não contratação de jogadores (a que estava habituado durante épocas seguidas), o risco de contratar um treinador sem historial de treinar grandes equipas e um plantel curto. E tendo pela frente clubes como o Benfica, vindo da vitória em quatro campeonatos seguidos e obcecado pelo penta, e como o Sporting, com um líder nato e grande treinador como Jorge Jesus. Isto já para não falar da qualidade do plantel leonino, onde figuram nomes como Rui Patrício, Coates, William Carvalho, Gelson Martins, Bas Dost, e a contratação de Bruno Fernandes (talvez o melhor jogador da Liga em 2017-18).

Apesar da perda de competitividade da Liga Portuguesa, com as diferenças cada vez maiores entre os quatro primeiros e as restantes equipas, esta época que finda foi muito bem disputada entre Porto, Sporting e Benfica - e até o Sporting de Braga, que ficou muito próximo dos clássicos três grandes. O FC Porto foi o campeão da regularidade, foi pródigo em ‘killer Instinct’, sobretudo nos jogos com os outros grandes, suplantando os rivais do Sul e marcando a sua diferença pela positiva nestes jogos. 

Foram os ‘clássicos’ que contribuíram decisivamente para que o Benfica não conseguisse o penta. De facto, nos jogos contra o Porto e o Sporting, o Benfica deitou a perder muitas das suas ambições. E, nesse particular, as críticas à qualidade do plantel encarnado - é preciso ter memória e ser coerente - não são de hoje antes começaram com a participação desastrosa na Liga dos Campeões e também com o afastamento das taças da Liga e de Portugal. Existe quem afirme que Rui Vitória até fez milagres esta época no Benfica com o plantel que tinha à sua disposição. 

O Sporting acaba bem. Mesmo não sendo campeão. O universo leonino está cheio de orgulho no clube, na equipa de futebol, e tem alcançado outras vitórias importantes noutras modalidades, contra o seu rival mais direto, o Benfica.

 Poderá ficar em segundo lugar no campeonato (ser vice-campeão), ganhar as duas taças (Liga e Taça de Portugal), foi a última equipa a sair das competições europeias (com uma vitória sobre um dos finalistas da Liga Europa, registe-se) e tem um leque de jogadores em grande forma, para além de ter, como se disse, aquele que foi a grande revelação futebolística e provavelmente o melhor jogador desta Liga (Bruno Fernandes).

Uma coincidência que me parece positiva, desportivamente e não desportivamente, é a subida à 1.ª Liga de duas equipas das regiões autónomas: o Santa Clara, dos Açores (que regressa ao fim de quase duas décadas), e o Nacional da Madeira, que já tem pergaminhos no futebol nacional.

Quanto às descidas, veremos neste fim de semana o que acontece, assumindo que, se o Vitória de Setúbal descer, será uma perda para uma cidade e uma região com tantos pergaminhos no futebol português.

Maio, junho e parte de julho (esperemos...) vão ser meses, semanas e dias em que a Seleção Nacional vai voltar a encher o país de emoção, de exaltação dos nossos sentimentos coletivos, com a preparação e a participação no Mundial da Rússia. Na condição, recorde-se, de campeão europeu em título. O que é uma grande responsabilidade. Mas também significa uma grande oportunidade. O futebol é um instrumento de aproximação entre os portugueses e os cidadãos em geral. 

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