Internacional

Venezuela. Europa vai aumentar sanções contra a elite

Ministros europeus vão expandir a lista de figuras do oficialismo sob castigo.

A União Europeia vai reforçar as sanções económicas contra a elite governamental da Venezuela em resposta à realização de eleições que, de acordo com os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros, “não foram livres, nem justas”.

Os responsáveis pela diplomacia dos 28 Estados-membros decidiram-no esta segunda-feira por unanimidade: os novos castigos vão ser acionados contra as figuras consideradas responsáveis pela crise económica e as manobras destinadas a silenciar a oposição. Estas sanções, asseguram os ministros europeus, serão desenhadas de maneira a “não prejudicar a população venezuelana, cujo jugo a União Europeia pretende suavizar”.

Bruxelas já havia avisado as autoridades venezuelanas de que avançaria para novas sanções caso as eleições antecipadas decorressem com candidatos proibidos e barreiras contra a oposição. Assim aconteceu, embora a própria Mesa da Unidade Democrática, a aliança de partidos da oposição, também tenha sofrido com as suas próprias fraturas internas.

Nicolás Maduro venceu com 67,8% dos votos, muito adiante do único candidato a furar o boicote da oposição, Henri Falcón, que teve apenas 20,9%. Maduro, contudo, perdeu contra o único concorrente que lhe podia roubar a vitória limpa: a abstenção foi oficialmente registada nos 54% e, de acordo com os opositores, rondou mesmo os 68%. Maduro recebeu menos 1,5 milhões de votos que em 2013.

As novas sanções estarão direcionadas contra a elite venezuelana, os seus depósitos bancários no estrangeiro e a sua liberdade de viagem para a Europa. O comércio venezuelano de petróleo, a galinha de ovos de ouro emaciada da economia nacional, ficará a salvo.

Em novembro do último ano, os Vinte e Oito anunciaram o primeiro castigo sob a forma de um embargo à venda de armas a Caracas e, em janeiro, puniram sete altos cargos do governo venezuelano, entre os quais o número dois de Maduro, Diosdado Cabello, e o presidente do Supremo Tribunal, Maikel Moreno, visto como um funcionário do oficialismo. O próprio Conselho dos Negócios Estrangeiros decidirá que nomes introduzir na lista dos sete visados.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE exigem também novas eleições presidenciais – marcadas com um prazo alargado e que incluam as principais figuras da oposição –, a restituição do poder da Assembleia Nacional e a libertação dos prisioneiros políticos.