Economia

Energia. Aprenda a poupar na fatura final

No Dia Mundial da Energia, o i recorda alguns truques que pode seguir de forma a conseguir reduzir esta despesa mensal, já que a eletricidade em Portugal é das mais caras da Europa

Portugal está entre os países onde a eletricidade é mais cara. Mas o fosso ainda é maior se tivermos em conta o nível de vida - nesse caso, Portugal é mesmo o país onde mais se paga pela luz, segundo o Eurostat. O governo já assumiu o compromisso de baixar os valores na ordem dos 10%, mas não quer comprometer-se com datas. “Há questões que não podemos controlar, mas o objetivo é fazer uma redução. O governo está a trabalhar para que os preços da energia sejam mais competitivos”, revelou recentemente o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. 

Mas a verdade é que os gastos relacionados com a luz estão na lista das prioridades que os consumidores não deixam de pagar em caso de problemas financeiros. Por isso, nada melhor do que recordar algumas dicas de poupança no Dia Mundial da Energia.

O certo é que há pequenos gestos que, no seu dia-a-dia, poderá adotar ou alterar para ver a sua fatura de luz reduzir-se consideravelmente (ver coluna ao lado). No entanto, uma das regras-base passa por analisar a potência contratada, uma vez que esta deve estar adequada ao consumo de energia em casa. Mas para isso tenha em conta que os atuais eletrodomésticos, sobretudo os de categoria energética A, são mais eficientes, e há também lâmpadas mais eficientes (como as LED) que, apesar de serem mais caras, consomem seis vezes menos energia e duram oito vezes mais.

Também ao desligar os aparelhos elétricos, em vez de os deixar em standby, e os carregadores de telemóvel, por exemplo, que por vezes ficam esquecidos nas fichas, o nível de poupança aumenta.

Deve ter ainda em consideração o número de pessoas na habitação e analisar muito bem qual a tarifa que melhor se adequa ao seu caso. A tarifa bi-horária apresenta preços diferentes por kWh consoante a utilização em horas de vazio ou horas cheias, sendo o valor mais baixo nos períodos noturnos ou ao fim de semana (horas vazias) e mais elevado nas restantes horas. Pode parecer tentador, mas é importante que tenha em consideração que, se escolher a tarifa bi-horária, o encargo para a mesma potência durante as horas cheias será, por regra, ligeiramente superior ao da tarifa simples. Significa isto que sempre que estiver a utilizar a luz fora das horas vazias, o preço a pagar será mais elevado. No entanto, os ganhos obtidos se fizer grande parte dos consumos nas horas vazias podem trazer uma poupança significativa.

Mudar de fornecedor

Outra forma de poupar é comparar a oferta dos vários comercializadores de luz que atuam no mercado livre e escolher o preço mais baixo. Mas isso exige cuidados (ver perguntas ao lado).

 A ERSE, entidade que regula este mercado, tem vindo a lançar alertas sobre as más práticas comerciais existentes no mercado e dá sugestões aos consumidores de como estas podem ser evitadas. “Alguém o aborda dizendo que tem uma oferta de energia para lhe apresentar e pede-lhe que assine um documento que apenas comprove que esteve presente em sua casa. O que deve fazer: nunca assine um documento sem o ler. Exija sempre e guarde cópia do que assina. Se tiver dúvidas depois de ler, recuse assinar”, diz a ERSE, lembrando ainda que, nas vendas à distância, se assinar e se arrepender, tem 14 dias para resolver o contrato.

Mas os alertas não ficam por aqui. “Se alguém o aborda dizendo que tem de mudar de fornecedor para não ficar sem gás ou eletricidade, não acredite nesta história. Os consumidores só devem mudar de fornecedor se quiserem e quando estiverem convenientemente informados do novo contrato”, avisa a ERSE.

Estes são muitos dos problemas que podem surgir, com o regulador a afirmar que estes alertas de más práticas “são focados em aspetos específicos que resultam da análise sistemática que se faz às reclamações que a ERSE recebe e procuram estar numa linguagem simples e acessível. Cada alerta identifica uma má prática que é seguida e sugere como o consumidor pode evitá-la, sendo divulgada sempre que identificada e considerada relevante para a informação aos consumidores”.

Oferta

A EDP oferece descontos de até 5% no gás natural e 4% na eletricidade sobre o total da fatura desde que os clientes optem pelos dois serviços e em débito direto no mercado livre. Já a espanhola Endesa oferece descontos de 12% em cada fatura da luz e gás. 

Por seu lado, a Galp aposta numa oferta que junta eletricidade, gás natural, gás de botija e combustível. Oferece descontos até 40% nos termos fixos da eletricidade e do gás natural, de 5% na aquisição de gás de botija e de 12 cêntimos em cada litro de combustível. 

Mas nem tudo são vantagens. O cliente deve ter em atenção o preço sobre o qual incide o desconto comunicado e em que componentes da fatura. A explicação é simples: muitas ofertas apostam em descontos elevados; no entanto, estes têm por base um preço mais alto do que os valores praticados por outras empresas concorrentes.

Além disso, para beneficiar destas promoções, na maioria das vezes, os clientes não podem ter acesso às tarifas bi-horárias ou tri-horárias. E a verdade é que, para um cliente com um consumo médio, as tarifas bi-horárias continuam a ser mais compensadoras do ponto de vista económico.

Não se esqueça que, ao optar por uma tarifa simples (paga sempre o mesmo pela energia), bi-horária ou tri-horária (a energia tem dois ou três preços, conforme a hora e o dia), essas tarifas funcionam como incentivadores de mudança de hábitos de consumo para alturas mais equilibradas. São considerados três períodos: horas de vazio, que correspondem a horários com menor procura de eletricidade; horas fora do vazio (ou de cheio, quando falamos da tarifa tri-horária), que são os períodos não incluídos no horário de vazio; e horas de ponta, aplicáveis a quem tem a tarifa tri-horária, que correspondem ao período em que se concentra a maior procura na rede elétrica.