Sociedade

Aveiro é um “depósito” de cães abandonados. População exige criação de canil

"Não há nenhuma solução para os animais errantes em Aveiro"

A população de Aveiro teme a existência de uma crise de saúde pública face ao número de cães abandonados que existem na zona. Exigem a criação de um canil municipal para fazer frente ao crescimento do número de abandonos.

"Abrem as portas dos carros e atiram-nos. E quando são pequenos vêm dentro de caixas". Foi assim que M., residente na freguesia do Eixo, descreveu ao Diário de Notícias (DN) a crise que se vive na região.  Já perdeu a conta ao número de cães abandonados naquela zona, mas diz que chegam a andar "30 ou 40 cães abandonados" por ali.

Cães maltratados, envenenados, atropelados. E o cenário tem vindo a piorar. Isto levou a que a população criasse o movimento Mobilização de Cidadãos por Um Canil Municipal em Aveiro, que acusa a autarquia de "incúria e incumprimento" da legislação na área animal.

"Não há nenhuma solução para os animais errantes em Aveiro. Estão à sua sorte na rua", diz a porta-voz do movimento, Marta Dutra, ao DN. "Não há canil, nem são feitas esterilizações, pelo que a situação está a degradar-se de dia para dia", acrescentou.

O cenário está a ficar cada vez mais negro em Aveiro e a população está cada vez mais preocupada com a possibilidade de existir uma crise de saúde pública: há "colónias de gatos descontroladas, animais encontrados no lixo e atropelados com muita frequência", explicou Marta Dutra ao mesmo jornal.

Face à falta de ação por parte do município, são os populares que tratam dos animais, comprando-lhes ração e arranjando abrigos.

Segundo o DN, o canil municipal fechou em 2013 por falta de condições. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, disse àquele jornal que "não está em lei nenhuma que é obrigatório ter canil", mas afirma que a autarquia quer apostar na criação de um. No entanto, Cristina Rodrigues, do PAN, afirma que não é bem assim e cita o 19.º do Decreto Lei n.º 276/2001, de 17 de outubro: "Compete às câmaras municipais a recolha, a captura e o abate compulsivo de animais de companhia, sempre que seja indispensável, muito em especial por razões de saúde pública, de segurança e de tranquilidade de pessoas e de outros animais [...]."

“O município tem procurado soluções junto das associações, cidadãos e clínicas para suprir a carência de não ter canil", garante Ribau Esteves.