Desporto

Direção do Sporting veta entrada à comissão de fiscalização

O Conselho Diretivo leonino, presidido por Bruno de Carvalho, considera que a decisão tomada por Jaime Marta Soares é “ilegal”

O Conselho Diretivo do Sporting, presidido por Bruno de Carvalho, vai proibir a entrada da comissão de fiscalização anunciada por Jaime Marta Soares nas instalações do Sporting. A direção leonina considera a referida comissão “ilegal”, devido ao caráter demissionário da Mesa da Assembleia-Geral (MAG) e do Conselho Fiscal e Disciplinar, e por isso não lhe reconhece legitimidade para aceder aos escritórios do clube.

O anúncio foi feito num comunicado lido por Fernando Correia, agora porta-voz deBruno de Carvalho. No mesmo, a direção do Sporting acusa Jaime Marta Soares, presidente demissionário da Mesa da Assembleia-Geral, não só de “mais uma vez violar os estatutos e regulamentos” ao “enviar mensagens particulares a funcionários do clube” em vez de comunicar de modo formal “qualquer assunto ou pedido que queira fazer” ao Conselho Diretivo “que ainda está em funções”, como também de ter convidado Luís Giestas, Luís Roque e mais um terceiro elemento à escolha destes para integrarem uma comissão de gestão, “também ela ilegal”.

A intenção de criar uma comissão de fiscalização para exercer transitoriamente as funções que cabem ao Conselho Fiscal e Disciplinar havia sido dada a conhecer esta segunda-feira por Jaime Marta Soares, baseando-se no número um do artigo 41.º dos Estatutos do Sporting. Nele, pode ler-se: “Se se verificar causa de cessação de mandato da totalidade dos membros do Conselho Diretivo ou do Conselho Fiscal e Disciplinar ou se, convocadas eleições para qualquer daqueles órgãos, não houver candidaturas, pode, no primeiro caso, e deve, no segundo, o presidente da Assembleia Geral designar uma comissão de gestão ou uma comissão de fiscalização, ou ambas.”

A MAG diz-se “obrigada” a esclarecer os sócios do Sporting, considerando ainda estarem, de facto, reunidos os requisitos para criar a referida comissão. “Ainda que chamados à efetividade os dois suplentes que não renunciaram, a maioria dos membros do Conselho Fiscal e Disciplinar apresentou a sua renúncia. Esta circunstância determina a cessação do mandato de todos, pelo que neste momento o Conselho Fiscal e Disciplinar não está em condições de funcionar dentro da legalidade”, pode ler-se num comunicado do órgão liderado por Jaime Marta Soares, que cita o artigo 37.º, número 2, alínea b, dos estatutos do clube. Assim, o presidente da MAG “pode designar uma comissão de fiscalização que exerça as competências do Conselho Fiscal e Disciplinar até que novos titulares eleitos tomem posse”, numa “solução que visa evitar um vazio de poder num dos órgãos centrais do Sporting”.

Entretanto, Rui Santos revelou no programa “Tempo Extra”, da SIC Notícias”, que a Holdimo vai interpor uma ação especial para destituir Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Rui Caeiro e Guilherme Pinheiro da administração da SAD do Sporting – o único que escapa é Nuno Correia da Silva, representante... da Holdimo, que detém 30 por cento das ações da SAD leonina. No processo, invoca uma “violação de deveres” da administração, “gestão danosa” e “desvio de dinheiros da SAD para o clube” que levanta dúvidas quanto à sua legalidade. “Faremos de tudo para demitir imediatamente a direção”, prometera já Álvaro Sobrinho no passado dia 17, tendo na altura exigido uma Assembleia-Geral da SAD. O maior acionista privado da SAD leonina indicou mesmo uma comissão de gestão transitória, como era obrigatório, composta por três nomes.