Internacional

Itália já tem Governo, com Di Maio superministro e Salvini no Interior

Mattarella aceitou o Executivo que Conte lhe levou e pôs fim a uma crise política de 89 dias.

Passados quase três meses das eleições de 4 de março a Itália tem um Governo. A coligação improvável de dois movimentos políticos distintos, unidos pelo sentimento antissistema e acérrimo euroceticismo, vai mesmo liderar a Itália. Como primeiro-ministro, um novato na política, o desconhecido professor universitário Giuseppe Conte, escolhido pelo Movimento 5 Estrelas (M5S) e Liga para ser mais um porta-voz que um mandante.

Os líderes dos partidos da coligação, ambos vice-primeiros-ministros, reservaram para si outras incumbências, aquelas onde preferem exercer influência mais forte. Sem surpresas, Matteo Salvini, da Liga, chamou para si a pasta do Interior, onde se espera que imponha uma política mais restritiva em relação aos imigrantes e aos refugiados. Ontem já disse que «cinco mil milhões de euros para cuidar de migrantes que vivem em Itália e recebem pequeno-almoço, almoço e jantar é demasiado, vamos ver se conseguimos cortar isso».

Luigi Di Maio criou um ministério só para si, o do Desenvolvimento Económico, Trabalho e Bem-Estar Social, para aplicar na prática as políticas laborais mais favoráveis às pequenas e médias empresas e, sobretudo, o denominado rendimento básico de cidadania de 780 euros. «A terceira República começou finalmente, agora podemos começar a trabalhar», afirmou Di Maio.

Paolo Savona – o economista que considera a adesão de Itália à moeda única «um erro histórico» e que foi a razão para o Presidente Sergio Mattarella não ter aceite o primeiro elenco governativo proposto por Conte – ainda figura na lista de ministros, mas foi afastado do influente Ministério da Economia e Finanças para o menos importante dos Assuntos Europeus (o que não deixa de ser uma mensagem irónica dos eurocéticos italianos a Bruxelas).

Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, saudou Conte pela sua escolha para primeiro-ministro, sublinhando que a União Europeia precisa de se manter «unida e solidária, agora mais do que nunca». Uma mensagem que ressoou menos que as palavras de Jean-Claude Juncker (ver texto ao lado) que mereceram de Salvini um comentário indignado no Facebook: «Os italianos são corruptos e preguiçosos? Palavras vergonhosas e racistas, com o próximo Governo vamos ver se conseguimos com que os direitos e a dignidade de 60 milhões de italianos sejam respeitados».