Sociedade

Senhoria dispara contra inquilino e é condenada a pena suspensa

Mulher de 62 anos disse que só queria assustar o inquilino

Uma mulher de 62 anos foi condenada esta segunda-feira a quatro anos e dez meses de prisão, com pena suspensa, por balear o seu inquilino.

De acordo com o Tribunal de Aveiro, citado pela agência Lusa, em causa estavam "quezílias relacionadas com a cadela que o arguido tinha em casa e com as divergências de entendimento quanto ao dia em que a renda deveria ser paga".

Os factos ocorreram em novembro de 2017, numa casa em Verdemilho, em Aveiro. A mulher tinha alugado a casa ao ofendido há menos de um mês quando tudo aconteceu. A arguida e o seu companheiro exigiram ao homem que pagasse a renda e este recusou-se, dizendo que só o faria no dia 20, como tinha ficado combinado. Foi nessa altura que a mulher se dirigiu à sua residência e regressou com uma caçadeira. Os disparos foram realizados quando o inquilino fechava a porta da cozinha – as balas atravessaram a porta de madeira e atingiram o homem na mão, na perna direita e no pescoço. Depois, a senhoria escondeu a arma num anexo, bem como os cartuchos, e refugiou-se em casa, onde viria a ser detida pela PSP.

Em tribunal, a mulher disse que só queria assustar o inquilino: "Não lhe quis fazer mal nenhum. Não sei o que me passou pela cabeça para ter disparado a arma".

Para além da pena de prisão, suspensa na sua execução por igual período, a mulher foi ainda condenada a pagar cerca de 150 euros ao Hospital de Aveiro pelos encargos com a vítima.

A pena suspensa foi justificada pelo presidente do coletivo de juízes com a "pequena gravidade" das consequências para a vítima, uma vez que os disparos não atingiram órgãos vitais nem deixaram sequelas.

"O tribunal, até pela sua idade, entende que não haverá perigo de voltar a praticar factos desta natureza e decidiu dar-lhe uma oportunidade, até porque já tem este tempo de prisão", afirmou o juiz presidente, aconselhando a mulher a ser “menos impulsiva”.

A agência Lusa revela ainda que, para além deste processo, corre outro inquérito relacionado com a apreensão de armas ao companheiro da arguida – uma delas foi a arma utilizada neste caso.