Internacional

NATO. EUA pressiona europeus a maior capacidade de resposta a ameaça russa

Secretário-geral da NATO diz que não é preciso criar novas forças, mas aumentar a prontidão das existentes 

Os EUA pressionam os seus aliados europeus para que tenham mais batalhões, navios e aviões em estado de prontidão, para uma maior capacidade de resposta da NATO à ameaça russa.

O secretário de Defesa norte-americano, James N. Mattis, estará hoje em Bruxelas na reunião dos ministros da Defesa da Aliança Atlântica para insistir, junto dos países europeus, na necessidade de uma força de dissuasão contra qualquer ataque russo. O objetivo da reunião de hoje é criar um plano que seja aprovado na cimeira de líderes da organização em julho. 

Ontem, o secretário-geral da NATO, explicou que “os aliados deverão ter, até 2020, 30 batalhões mecanizados, 30 esquadrões aéreos e 30 embarcações de combate disponíveis para intervir numa operação em 30 dias ou menos”. Segundo Jens Stoltenberg, “não se trata de criar novas forças, mas de aumentar a prontidão das forças existentes”. Cada batalhão teria entre 600 e mil soldados.

A região europeia considerada mais vulnerável a um eventual ataque russo compreende os países da região do mar Báltico e a Polónia. “Temos um adversário (Rússia) que consegue mover-se rapidamente para os países bálticos e para a Polónia num ataque terrestre”, disse um diplomata à agência Reuters. “Não podemos dar-nos ao luxo de demorar meses a mobilizar.” 

No ano passado, os exercícios militares russos na região mobilizaram 100 mil militares, mas o embaixador russo para a União Europeia nega qualquer intenção de desestabilização. “A parte da Europa em redor do mar Báltico tem sido, historicamente, uma das regiões mais calmas, há muitos anos. Mas parece que há quem não queira que isso assim continue”, afirmou Vladimir Chizhov, citado pela cadeia televisiva Euronews.

Mas depois da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, e da intervenção na guerra da Síria, Washington desconfia de Moscovo e quer estar pronta para qualquer eventualidade. O Krem-lin é visto como um adversário sério e daí a pressão contínua para os aliados europeus gastarem mais em defesa coletiva.