Opiniao

Cidades, alterações climáticas e energia

A evidência das alterações climáticas e a escassez de recursos estão na ordem do dia. Não porque sejam uma novidade mas porque a humanidade tomou consciência que estes fatores são determinantes para a viabilidade da vida na Terra.

As alterações climáticas são já sentidas e os cenários tidos como irrealistas começam a confirmar-se como terrivelmente prováveis. Os eventos climáticos extremos como secas prolongadas, chuvas intensas ou os furacões são cada vez mais frequentes. O aquecimento global e a subida do nível do mar são uma realidade.

A energia é um dos recursos que limita e condiciona o crescimento e desenvolvimento da humanidade. Outros recursos como a água, alimentos ou recursos minerais começam a ser escassos face às necessidades da população mundial.

O crescimento da população mundial e o aumento do consumo de recursos coloca um problema de satisfação de necessidades vitais provenientes de fontes limitadas. O atual modelo de desenvolvimento parece ser insustentável.

A concentração da população mundial nas cidades tem vindo a aumentar. Atualmente, mais de metade da população concentra-se nas cidades e as previsões das Nações Unidas apontam para que se atinja um valor de cerca de 70% em 2050. A concentração populacional nas cidades significa também a concentração do consumo de energia e de recursos a par com a produção de resíduos e poluição.

O desempenho das cidades será cada vez mais determinante na sustentabilidade do desenvolvimento mundial. A forma como as cidades se desenvolverem ditará a viabilidade do Planeta.

As cidades têm um impacto significativo no volume de consumo de energia, de água e de recursos e também na emissão de gases com efeito de estufa ou na produção de resíduos. Alterações nestes níveis têm um impacto igualmente significativo no contexto global. Ou seja, corrigir práticas nas cidades pode contribuir decisivamente para melhorar o Planeta.

As cidades começam a tomar consciência do seu papel na sustentabilidade global, assumindo compromissos internacionais de forma articulada através de pactos com metas determinadas com vista à preparação para adaptações às alterações climáticas ou à diminuição das emissões de gases com efeito de estufa.

Lisboa também começou a preocupar-se com as questões da sustentabilidade há vários anos. A criação da Agência de Energia e Ambiente de Lisboa no final dos anos 90, e, entre 2004 e 2007, o desenvolvimento de ferramentas de apoio à gestão como as matrizes energética, da água e dos materiais, a definição da Estratégia Energético Ambiental e ainda a apresentação do Plano Geral de Drenagem são precursores de iniciativas mais recentes no mesmo sentido.

Nos últimos anos Lisboa tem continuado a avançar no sentido de alcançar objetivos de sustentabilidade comprometendo-se internacionalmente com outras cidades no âmbito das adaptações às alterações climáticas e redução de gases com efeito de estufa, ajustando o Plano Diretor Municipal, implementando o Plano de Drenagem, assumindo e desenvolvendo documentos importantes como Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas ou, muito recentemente, o Plano de Ação para a Energia Sustentável e Clima.

As cidades podem desempenhar um papel decisivo na sustentabilidade do Planeta tomando medidas para se adaptar às alterações climáticas, diminuindo a emissão de gases com efeito de estufa, promovendo a eficiência energética ou reduzindo o consumo de água. O planeamento urbanístico e os transportes são determinantes nestes objetivos. Importa assumir as mudanças como uma prioridade, definindo metas, monitorizando, começando por dar o exemplo e sensibilizando para o contributo que cada cidadão pode ter nesta causa comum.