Internacional

Brexit. May consegue evitar uma séria derrota no parlamento

May corria o risco de os deputados aprovar emendas que limitariam a atuação e estratégia do executivo na condução das negociações com Bruxelas.

Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, não tem tido  vida fácil. Depois de se confrontar na segunda-feira com a demissão de um dos seus mais próximos, o ministro da Justiça, Philip Lee, por discordar da estrátegia do governo para o Brexit. May conseguiu ontem, à última hora, evitar que 14 emendas à lei do Brexit fossem aprovadas pela Câmara dos Comuns através de concessões aos parlamentares conservadores rebeldes. 

Lee, que em 2016 tinha apoiado o Brexit, justificou a sua decisão por estar “profundamente triste” com a forma como o governo britânico tem conduzido as negociações com Bruxelas – sem rumo, estratégia ou propostas concretas. 
Além de discordar da estratégia, Lee quis desta forma ficar livre das amarras governativas para poder votar favoravelmente o plano para dar ao parlamento mais poderes no que diz respeito ao acordo que o governo assinar com a União Europeia, algo que May tentou evitar a todo o custo. “Infelizmente, dentro do governo achei que era totalmente impossível ajudar a trazer mudanças suficientes para o rumo a que estamos vinculados”, afirmou.

Apesar dos esforços de Downing Street em manter a unidade da bancada, vários deputados conservadores expressaram o seu apoio a Lee, a que se chegou a juntar a possibilidade de alguns ministros poderem também abandonar o executivo. 
Lee também enfureceu a primeira-ministra ao afirmar publicamente que o governo deveria consultar o povo britânico sobre o resultado final das negociações com a UE. “Quando o governo for capaz de estabelecer um caminho viável e claramente definido – um que tenha sido devidamente considerado, cujas implicações tenham sido previstas e que esteja enraizado na realidade e não no dogma – deverá consultar ao povo, mais uma vez, para procurar a sua confirmação”, escreveu no seu site. Lee não fez mais que abrir o caminho para um possível segundo referendo, com significativas implicações para o governo de May.

May evita derrota

Confrontada com uma revolta na sua bancada parlamentar por elementos pró-União Europeia, que queriam aprovar as 14 das 15 emendas que foram acrescentadas, entretanto, à lei do Brexit e que davam ao parlamento o poder de obrigar o governo a renegociar com Bruxelas, May não teve outra alternativa que dar mais voz ao parlamento sobre o resultado final das negociações. Se o governo não conseguir chegar a acordo, os deputados terão poder para negociar com a UE uma saída suave do Reino Unido, mas em caso de haver um acordo, os deputados não podem obrigar o governo a negociar outra vez. 

Robert Buckland, procurador-geral, desempenhou um papel fundamental no fim da revolta parlamentar, ao anunciar que havia “mérito” nas propostas dos deputados e que essas propostas serveriam de base para futuras negociações com os parlamentares rebeldes. As 14 emendas propostas acabaram por ser todas derrotadas a partir do momento em que a revolta foi amenizada. 

No decorrer dos dois dias de debate parlamentar, Theresa May mostrou-se favorável ao estabelecimento de um prazo para finalizar as negociações com Bruxelas.

Na segunda-feira, o executivo conservador conseguiu evitar um confronto entre deputados sobre a difícil questão das alfândegas ao aceitar o compromisso de informar até outubro o parlamento sobre o andamento da questão do acordo alfandegário com a UE após a saída do Reino Unido da UE que está agendada para 29 de março.