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Mafalda Agante. A mais gulosa está de volta

Assume-se como gulosa sem redenção à vista e não consegue sequer escolher a sua sobremesa preferida. Mafalda Agante, a ‘repórter mais gulosa do país’, acaba de lançar o segundo livro de sobremesas, em que inclui 100 receitas para quem não dispensa um docinho para animar os dias.

Nem se lembra bem do primeiro bolo que fez. Mas sabe que foi a necessidade a aguçar o engenho. «Lá em casa não se faziam bolos e, quando não ia à pastelaria, ia para a cozinha», conta Mafalda Agante. Devia ter uns dez anos quando as visitas ao fogão se tornaram frequentes. «Fazia muito o pão-de-ló com chantilly, às vezes também com morangos».

Mafalda Agante continua igual à menina que foi – gulosa, gulosa –e, depois do blogue, da rubrica na RFM, de um livro, de uma loja de doces está de volta com o segundo livro: Há alguém mais gulosa do que eu - Volume II. Aqui partilha mais de cem receitas de fácil execução – por exemplo, um bolo mármore na chávena cuja confeção demora dois minutos e 30 segundos – e até como se fazem algumas das delícias que mais vende na sua loja de doçaria (Coimbra), como é o caso da tarte de chocolate negro e caramelo salgado ou o tecolameco, um doce tradicional que é um dos bestsellers (entre os bolos que mais vende, contam-se também o de limão e framboesas, o bolo de chocolate e azeite, o de cacau biológico, as pavlovas e os mini-eclairs, feitos por encomenda e que já têm clientes específicos).

Neste livro, porém, a autora sentiu necessidade de incluir algumas receitas sem glúten e sem açúcar refinado. «Percebo que haja cada vez mais pessoas a querer diminuir o consumo de açúcar, assim como também há pessoas que são vegan e intolerantes ao glúten, por isso quis ter opções para todos».

E Mafalda, dispensa a sobremesa diária? «Bem... Eu como doces todos os dias!», confessa, avançando rapidamente, quase em jeito de desculpa: «Tenho o metabolismo rápido, nunca tive que fazer dieta e, apesar de comer manteiga também todos os dias, não tenho colesterol». No entanto, a autora – que não come carne, por exemplo – sabe bem que nem toda a gente é assim e que as carradas de açúcar não são boas para ninguém, mas acredita que o grande problema está naqueles açúcares que nem sabemos que estamos a consumir. 

«Acho que a maioria das pessoas não lê os rótulos, por isso não tem noção de que estão a comer muito açúcar em coisas como iogurtes. Também não como cereais de supermercado, por exemplo, prefiro a minha granola».

As sobremesas, como já vimos, estão num campeonato à parte, mas ainda assim Mafalda diz que nos últimos tempos – e cada vez mais – só come os seus próprios doces. Isto porque, garante, não há pastelaria em Portugal que deposite o mesmo cuidado na hora de escolher as matérias primas. Na sua cozinha não entram preparados líquidos de ovos, margarinas e chocolates a fingir. «Só uso ovos biológicos e manteiga irlandesa», conta, afirmando que também as frutas dos seus doces são biológicas. «Claro que depois podem adaptar as receitas, usar bebidas vegetais ou não usar ingredientes biológicos, que são mais caros».

No meio das novas correntes, Mafalda diz que a sua bússola aponta apenas num sentido – não ser «fundamentalista». «Somos constantemente bombardeados com teorias sobre os superalimentos, num dia o óleo de coco faz bem, no dia a seguir não, por isso foco-me na qualidade das matérias-primas», desdramatiza. Isto porque, no final de contas, para esta gulosa incurável uma boa refeição não deve terminar com um sobremesa. «Deve começar com uma!», diz entre uma gargalhada.

Não nos podemos despedir sem a pergunta inevitável: Qual é o seu doce preferido? «É a pior pergunta que me podem fazer» reconhece, dizendo que o seu coração se divide até entre a doçaria conventual e a mais moderna. À laia de desculpa, lá acaba por nos enviar uma das receitas do livro (que partilhamos nesta página), e à qual apropriadamente chamou ‘A Minha Torta Preferida’. «Uma seguidora gulosa que comprou o livro já fez esta receita duas vezes (enviou as fotos), disse que é tão deliciosa que irá fazer a torta todas as semanas». É testar e ver.