Opiniao

Donald Trump: mais uma decisão em defesa dos Direitos Humanos

Que credibilidade tem uma Comissão que se diz de Direitos Humanos e que se coloca sistematicamente ao lado de regimes bárbaros como a Venezuela e o Irão?

1.É uma decisão brilhante do Presidente Donald Trump – e uma excelente notícia para a defesa dos direitos humanos à escala global. Os EUA anunciaram na presente semana a sua retirada do Conselho de Direitos Humanos da ONU – um “conselho” que recebe muito, gasta demais, faz pouco;  e o que faz, faz terrivelmente.  Ao invés do que sugere a sua designação, este Conselho de Direitos Humanos esquece-se frequentemente (sempre?) do seu obejcto: apologia e a defesa em concreto dos direitos humanos.

 A primeira premissa essencial para defender os direitos que devem ser reconhecidos a todos os seres humanos é mostrar uma imparcialidade militante e uma independência empenhada: o critério da sua actuação, o fim da sua missão deve ser a tutela da dignidade da pessoa humana. Contra todos os poderes fácticos instalados. Contra os interesses ocultos, naquilo a que se ousou designar por “deep state”: tal como sucede nas realidades internas estaduais, nas organizações internacionais (e suas agências) a influência de grupos de pressão e de lobbys particulares assume preponderância decisiva. E aqui a esquerda – e alguns dos grupos que a financiam – tomaram de assalto várias das agências e organismos da ONU.

Conclusão: hoje, a ONU falha em toda a linha em muitos dos seus domínios de actuação, sobretudo no que respeita à tutela dos direitos humanos. Por conseguinte, nós temos qualificado a ONU, atendendo ao seu papel efectivo nos nossos dias, como a personificação jurídico-política do “multilateralismo hesitante”, feito de “incertezas ambíguas”.

2.Claro que a comunicação social portuguesa limitou-se a divulgar a notícia da decisão do Presidente Donald Trump como se tratasse de uma posição de princípio da administração norte-americana contra o carácter estruturante e irrefragável dos direitos humanos como fundamentos materiais dos Estados que compõem a ordem internacional: se os EUA saem do Conselho de Direitos Humanos, então significa que os EUA são contra os direitos humanos.

Ora, esta notícia, sem que os jornalistas se dignassem a conceder aos leitores o devido enquadramento e a factualidade que serviu de base à decisão da administração norte-americana, só prova a desonestidade (com dolo ou mera negligência) da maioria dos media nacionais. Porque esta narrativa interessa também à esquerda portuguesa, designadamente à actual geringonça.

Porquê? Porque Donald Trump é o elemento perfeito para promover a coesão dos três partidos que suportam o Governo de António Costa sobre uma matéria relativamente à qual são geneticamente divergentes. O Presidente Donald Trump permite unir o que naturalmente está desunido. Explicitemos: o PS é um partido que, com maiores ou menores resistências, sempre assumiu a sua vocação atlantista, pró-EUA; diferentemente, o BE e o PCP sempre fizeram do anti-americanismo uma serenata – sempre tocada religiosamente nas madrugadas pré-eleitorais – dedicada às suas clientelas eleitorais.

Sem um discurso anti-EUA (e anti-Israel), as elites do BE e do PCP temem perder a sua identidade: porque, na sua visão do mundo, os Estados dividem-se de acordo com os sistemas económicos que adoptam (são os sistemas económicos que determinam os sistemas políticos; e não o inverso). Os EUA (e Israel que, na ideia da esquerda radical portuguesa, é apenas mais um estado dos EUA) representam o sistema capitalismo: logo,  a morte dos EUA é a morte do capitalismo. Ora, se o PCP abandonasse o discurso anti-EUA, o que restaria da sua identidade, do seu propósito histórico? Praticamente, nada.

3.Pois bem, o Presidente Donald Trump é o alibi perfeito para a esquerda (mais radical) manter o seu anti-americanismo militante no discurso, fingindo que não houve uma inflexão estratégica da sua parte com a viabilização do governo de António Costa; por outro lado, permite a António Costa criticar os EUA, através da crítica ao Presidente Trump, agradando àquela mesma esquerda radical que lhe ofereceu o poder, apesar de ter sido derrotado nas urnas. 

Concluindo: ao criticar Donald Trump, António Costa mantém o pró-americanismo (mais ou menos intenso, conforme os ciclos) do PS, na teoria – ao mesmo tempo, que não tem necessidade de afirmar o seu americanismo, em virtude do seu “repúdio de Donald Trump”, na prática. Agrada-se, por silêncio, ao PS mais moderado; não se desagrada ao PCP e ao BE. Como é habitual, António Costa consegue a habilidade de ter o melhor de dois mundos.

4.Daí que não vale a pena acompanhar a realidade política norte-americana pela maioria dos media portugueses: aqui (também aqui!), a esquerda tem imposto, sem contraditório (muito menos rigor!), a narrativa que mais lhe convém. Faça o que Donald Trump fizer, é, por inerência, mau. Nem vale a pena discutir ou deixar a apreciação para o juízo do tribunal da opinião pública: os jornalistas do Bloco e do PS decidem, está decidido.

Ora, na verdade, omite-se aos portugueses que o Conselho dos Direitos Humanos da ONU não nasceu nada em 1948; antes, nasceu em 2006, fruto da reformulação da Comissão de Direitos Humanos. E que os EUA não são, ao contrário do que referiram, um dos países fundadores: pelo contrário, os EUA recusaram aderir a este Conselho precisamente pelas razões que justificaram agora a sua saída: o multilateralismo expresso nesta agência é uma multilateralismo feito de pequenas minorias que se convertem, por inacção daqueles que falam muito e fazem pouco, em maiorias.

Não são movidos por valores ou interesses comuns a todas as “nações civilizadas”: movem-se, isso sim, tão-somente por conveniências e interesses (próprios) conjunturais. Os EUA entraram neste Conselho por decisão do Presidente Barack Obama, como gesto de “reconciliação dos EUA com o mundo”. A decisão assentou, assim, que nem uma luva à política externa do “Mr. Sorry guy”.

5.As nossos caríssimas leitoras e os nossos leitores têm que, nos juízos que venham a formular, ter em devida consideração este dado crucial: o Conselho de Direitos Humanos é, efectivamente, mais um Conselho de Direitos Desumanos. Porquê? Porque a sua actividade tem-se limitado a perseguir e a condenar um Estado democrático, a única verdadeira democracia do Médio Oriente (Israel), ignorando por completo os Estados em que verdadeiramente ocorrem atropelos (bárbaros!) aos direitos humanos.

De facto, este Conselho tem-se recusado, desde Fevereiro de 2017 , não obstante as insistências da muito talentosa Embaixadora dos EUA na ONU – a ex- Governadora do estado da Carolina do Sul, Nikki Haley – a debater as reais violações aos direitos humanos que sucedem diariamente, por exemplo, na Venezuela, na Síria, no Irão e na Palestina. Como no passado se haviam recusado a debater a situação de Cuba ou da Coreia do Norte.

6.Portanto, estamos perante uma agência da ONU que declara ter como missão social a defesa dos direitos humanos, que dispõe de um orçamento auvultado para a tarefa (uma parte substancial vem dos contribuintes norte-americanos) – mas que nada faz, para além de brincar às politiquices e funcionar como uma verdadeira “Inquisição” contra o Estado de Israel.

Que credibilidade tem uma Comissão que se diz de Direitos Humanos e que se coloca sistematicamente ao lado de regimes bárbaros como a Venezuela e o Irão?

Regimes desumanos que são protegidos por uma Comissão dos Direitos Humanos! Haverá maior anedota que esta? E quem paga? Os contribuintes dos Estados membros, claro!

A Embaixadora Nikki Haley avisou quatro vezes a Comissão da ONU que teria de deixar de perseguir uma democracia como Israel e passar a focar-se nas verdadeiras ameaças aos direitos humanos – a Comissão ignorou.

As investigações a Israel sucederam-se; a situação na Venezuela foi (é) ignorada. A utilização de crianças como escudos humanos pelo Hamas foi ignorada.

O regime asfixiante e desumana vigente no Irão foi perdoada e expiado dos seus pecados para efeitos de política internacional por esta Comissão. Assim sendo, só uma decisão seria viável: a saída dos EUA!

7.Como se vê – com base em factos, não em “realidades alternativas” dos nossos media controlados pela esquerda radical - , a saída dos EUA de uma agência que é hipócrita, cínica e mentirosa (porque tem no nome “direitos humanos”, mas despreza pornograficamente os direitos humanos!), é uma excelente notícia para a defesa dos direitos humanos: poderemos estar perante uma oportunidade para reflectir e criar um novo modelo de defesa dos direitos humanos, que não esteja refém do lobby pró-aniquilação de Israel e do Hamas. E que não seja um mero instrumento de propagação internacional das causas da esquerda.

8.O Ministro Augusto Santos Silva, entretanto, já veio condenar a decisão dos EUA. Ora, Augusto Santos Silva – que normalmente é uma pessoa lúcida e sensata – perdeu uma oportunidade dourada para estar calado.

Porquê? Por uma razão simples: se há país que deveria estar preocupado com a defesa dos direitos humanos na Venezuela, esse país é Portugal. A comunidade portuguesa tem sido uma das maiores vítimas das loucuras do regime venezuelano – e o Estado português recusa-se a tomar posição e a defender os seus cidadãos.

Duas explicações para a declaração do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros: 1) pressões do Bloco de Esquerda que quer obrigar o Governo a condenar Donald Trump, face a esta decisão e sobre a política de imigração (falaremos dela em próxima prosa), para consumo político interno; 2) representa uma última tentativa para o Governo português congregar os votos necessários para a eleição de António Vitorino como Alto Comissário para as Migrações: os votos dos países aliados da Palestina e da Venezuela são essenciais, até porque o adversário de Vitorino é um norte-americano: Ken Isaacs. Daí este entusiasmo de Augusto Santos Silva na condenação dos EUA – é para ajudar o camarada Vitorino.

9.Conclusão: uma decisão certa do Presidente Donald Trump, que vem, em termos de política externa, contrariar a cedência da Europa a ditadores, a assassinos por ideologia e por acção política.

Reafirmando o excepcionalismo norte-americano que havia sido negado por Barack Obama e adulterado por George W. Bush, o Presidente Donald Trump representa uma clara esperança na paz mundial – e na vitalidade das democracias alicerçadas em valores e convicções.

Ou continuaremos a fingir que o Hamas não existe, que a Palestina não pretende aniquilar Israel e o seu povo (evocando o legado nazi, apesar de a “Time” não fazer nenhuma capa sobre esta matéria) e que a Venezuela não é um pesadelo socialista?

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