Sociedade

PS, BE e PCP querem resposta do Governo a agressões no São João

Jovem de 21 anos foi espancada por um segurança

O Partido Socialista (PS) pediu esclarecimentos ao Governo, esta quinta-feira, quanto ao caso da jovem colombiana, que foi vítima de agressões de natureza racista, no Porto. Também oBloco de Esquerda já reagiu a esta situação, exigindo saber se o Ministério da Administração Interna (MAI) irá manter a licença da 2045, empresa que emprega o homem que agrediuNicol Quinayas, responsável pela fiscalização da STCP (Serviço de Transportes Coletivos do Porto).

O líder parlamentar do PS, Carlos César, afirma que "não está disponível para contemporizar com estas situações e para avaliá-las como simples episódios triviais, ou como desavenças na via pública". Carlos César frisou ainda que "é importante também que o Governo tenha consciência de que aquilo que se passou não foi uma mera desavença" e que é importante que se “conclua rapidamente a proposta de lei para disciplinar melhor a atividade da segurança privada".

O PS diz ainda que se trata de "uma agressão com um fundamento racista, que não pode deixar de ser registada no plano político" e diz que é importante que a sociedade portuguesa “aprofunde o debate sobre o racismo”.

Já o Bloco de Esquerda quis saber, através de um requerimento, se o MAI consegue “garantir que os agentes da PSP que se deslocaram ao local tudo fizeram para garantir que este crime é investigado sem que nenhuma prova se tenha perdido entretanto”. A mesma postura foi assumida pelo PCP, que já questionou oficialmente o Governo sobre a posição que irá assumir perante esta situação. "Vai este Ministério [MAI] solicitar a IGAI [Inspeção-Geral da Administração Interna] a investigação do comportamento dos agentes da PSP que se deslocaram ao local? Que medidas vai tomar para combater a xenofobia e racismo nas empresas de segurança e nas forças de segurança?", refere o requerimento, citado pelo jornal Público.

Recorde-se que Nicol Quinayas, tem 21 anos, foi esmurrada repetidamente na noite de 24 de junho por um segurança dos transportes do Porto. No vídeo divulgado na Internet, pode ver-se o homem a agarrar a rapariga no chão, obrigando-a a estar de cara para baixo sobre a calçada. "Tu aqui não entras preta de m****, queres apanhar um autocarro, apanhas no teu país", diz o segurança. À volta, estão várias pessoas – que nada fazem – a gritarem e a insultarem o segurança. "Gostavas que fosse a tua filha, gostavas, seu filha da p***?", pode ouvir-se no vídeo.  

Nicol tinha ido sair com as amigas para a noite de São João e estavam as três junto à paragem do autocarro 800, no Bolhão, para voltar a casa, já depois das 05h00. Entretanto, a jovem já admitiu que passou à frente de várias pessoas que estavam na fila para o autocarro: “Quando cheguei, já tinha lá duas amigas. Elas estavam mesmo em frente à porta do autocarro e eu fui ter com elas. Algumas pessoas começaram a resmungar, a dizer que tinha passado à frente. Eu disse que voltava para trás e as pessoas disseram que não fazia mal, que era só mais uma”.

Pouco tempo depois, Nicol foi barrada pelo segurança: “disse para eu sair do autocarro e estava a ser muito agressivo, a fazer comentários racistas. A única coisa que lhe disse foi ‘o senhor não está bem, não tem de falar assim’. Ele começou a dar-me socos na face, argumentei contra ele e insultei-o e ele disse ‘voltas a insultar-me e ainda levas mais’. Eu nem consegui acabar a frase – ele deu-me logo dois socos”.

Segundo esta jovem colombiana, que vive desde os 5 anos em Portugal, a polícia nada fez quando chegou ao local: “ Não fui identificada por nenhum [polícia], ninguém me perguntou o que tinha acontecido”, recorda Nicol, que, a seguir às agressões se dirigiu ao hospital e apresentou formalmente queixa na PSP.