Opiniao

O Estado e o interesse nacional

Certas forças partidárias tentarem incutir nos cidadãos a ideia perigosa de que o passado histórico do seu país é tenebroso e que todos agora terão de pagar por isso

O conceito de ‘interesse nacional’, numa definição erudita, engloba a ‘base nacional integradora da ecúmena pátria primordial de uma comunidade politicamente organizada, com identidade própria – a qual, numa determinada era e tomando consciência do fator geopolítico determinista inerente ao meio geográfico com o qual interagia e se congregava, decidiu tornar-se independente de outras mais fragmentadas e com as quais convivia’. 

Mas também se identifica com a maior ou menor eficiência no funcionamento dos instrumentos da política externa e de segurança, através do entrosamento dos instrumentos e políticas setoriais do Estado (diplomáticos, militares ou económico/financeiros) com os objetivos definidos pela superior política geral do Estado. 
 
Tudo se concretiza na construção de uma imprescindível interação dos respetivos meios e instrumentos funcionais, pois sem instrumentos eficientes e uma liderança poderosa nenhum objetivo logrará ser atingido. Foi isso que permitiu o Portugal dos Descobrimentos, gesta que deu novos mundos ao mundo.

Contudo, devido a processos de degradação da segurança do Estado – provocada pela transformação da conjuntura num dado tempo histórico –, um poder forte poderá ser contaminado pelos processos de decadência e declínio, em que por vezes a traição impera. Estes fenómenos, de que os Governos tarde se apercebem – por desleixo, por razões egoístas pessoais ou de ordem partidária –, poderão então minar a coesão, a identidade nacional e a matriz histórica dessa comunidade, devido a intrusões de apátridas ou daqueles que ideologicamente passaram a reconhecer uma outra pátria que não a sua e à qual venderam a alma. 
 
Em geral, esta degradação do poder do Estado acontece devido à inépcia dos vários Governos e Presidentes ou Monarcas, que passam a ver a então degradação da ‘paz possível’ interna ou externa sob a perigosa ótica de que tudo continua bem, apesar de os sinais de degradação se multiplicarem. Omitem ou recusam admitir irresponsavelmente que toda a estrutura nacional está a ser insidiosamente minada – e se encontra agora assente de forma precária numa base irrealista e movediça. 

Atualmente, na Europa dita democrática – e no que respeita concretamente às impreparadas democracias dos Estados europeus do sul do continente –, assiste-se ao agravar dos malefícios provocados pelas referidas infiltrações insidiosas e subversivas em todos os setores do Estado, sobretudo em pontos-chave como nos órgãos de governação, da Justiça, da Educação, da Cultura histórica de base familiar aglutinadora e dos media. 
 
A esta erosão acresce o facto altamente perturbador de os Governos menosprezarem e votarem ao abandono as Forças Armadas, afinal o último sustentáculo da Nação e recetáculo dos valores que a individualizaram durante séculos. Eis porque constituem o alvo principal de ataque e de discriminação por parte desses grupos internacionalistas ideológicos a soldo de outrem, visando denegrir e corroer os seus feitos históricos ao serviço da integridade do Estado! Esta é uma realidade em dois dos países mais periféricos do sul europeu. 

Porém, esta ilusória e ‘fabricada’ paz atual dependerá sempre do comportamento dos outros atores que atuam nesta era de globalização, num regime de implacável competição entre os Estados. E a História ensina que não existem Estados amigos nos intrincados jogos do poder mundial, mas apenas aqueles ‘de ocasião’, mais conhecidos por aliados. 

É esta a realidade. Daí certas forças partidárias e meios de desinformação, politicamente conectados à potência euro-asiática – afinal, a sua verdadeira pátria –, tentarem incutir diariamente nos cidadãos a ideia perigosa de que o passado histórico do seu país é tenebroso e que todos agora terão de pagar por isso!

Omitem escandalosamente que nas potências totalitárias se faz o culto histórico das suas Forças Armadas; mas negam isso aos países ocidentais!