Sociedade

Organização ambiental diz que "não se pode culpar o eucalipto ou o pinheiro" pelos incêndios

A WWF diz que esta não passa “mais do que uma tentativa de fuga à responsabilidade política perante um problema social e ambiental cuja solução requer mudanças profundas"

A organização WWF defendeu que "não se pode culpar o eucalipto ou o pinheiro" pelos incêndios que afetaram profundamente Portugal e Espanha. Num estudo que será apresentado esta quinta-feira, a organização considera que este é um dos “mitos” que espelha a tentativa do Governo de fugir às suas responsabilidades e afirma que Portugal não tem medidas suficientes para combater e sensibilizar relativamente aos incêndios.

A organização lançou um relatório, apelidado "O barril de pólvora do noroeste", que analisa as causas e fatores em que os grandes incêndios de 2017 aconteceram no nosso país e em Espanha, principalmente a norte do Tejo (em Portugal) e na Galiza e Astúrias (em Espanha).

"Não se pode culpar o eucalipto ou o pinheiro pelo que tem acontecido, mas podemos acusar o modelo territorial e a ausência de políticas que promovam um planeamento paisagístico coerente", afirma a WWF. A organização considera que isto é um mito e que "é necessário desmistificar alguns dos tópicos constantemente associados aos grandes incêndios, como a existência de 'terrorismo incendiário', a 'culpabilização do eucalipto', a 'especulação urbana' ou a 'requalificação de terrenos'".

Segundo a WWF, a criação destes “mitos”, acaba por não ser “mais do que uma tentativa de fuga à responsabilidade política perante um problema social e ambiental cuja solução requer mudanças profundas". E, por isso, faz um apelo aos governos para que tomem responsabilidades pelos desastres, no sentido de mudar a forma de abordagem no combate aos fogos. "Os 'super incêndios', consequências das alterações climáticas, não se apagam com mais hidroaviões", acrescentam

A organização põe em causa os fatores de "repovoamentos de eucalipto ou pinho, abandono rural e clima” e defendem que estes “são uma combinação decisiva”. Põe também em causa os “problemas estruturais”, que foram detetados em todo o noroeste como os “escassos investimentos em prevenção, importantes deficiências na estratégia de extinção".

A WWF frisou que “é um absurdo económico e ambiental que existam plantações de eucalipto abandonadas, em parcelas que os próprios donos nem sequer sabem que são suas". Segundo a associação, 40% das plantações de eucalipto na Galiza encontram-se abandonadas.

Em Portugal, a taxa de incêndios aumentou, em 2017, 400% e em Espanha a subida ronda os 200%. Portugal foi o país europeu mais afetado por incêndios em 2017, segundo a organização: "De facto, Portugal é o primeiro país da Europa e o quarto do mundo com a maior massa florestal perdida, até ao momento, no século XXI, devido, em grande parte, aos incêndios florestais que assolam o país todos os verões. Em média, por ano, registam-se cerca de 17 mil ocorrências e ardem cerca de 120 mil hectares", afirma a agência.

A WWF acusa Portugal de não possuir “uma estrutura profissional e especializada dedicada à prevenção e extinção de incêndios" e, também, de não ter “programas de prevenção de comportamentos de risco que incluam formação ou procura de alternativas para o uso generalizado do fogo, apesar de a maioria dos incêndios se dever a negligência".