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Ronaldo. O golpe do século para acordar a Serie A

Está tudo pronto em Turim para receber a maior contratação da história da liga italiana: Cristiano Ronaldo é esperado este sábado no Estádio Juventus para quatro anos de muitos golos.

SÓ a oficialização da transferência ainda não aconteceu, mas já não deve demorar muito: por esta altura, parece certo que Cristiano Ronaldo vai mesmo trocar o Real Madrid pela Juventus. Em Turim, está tudo preparado para receber o CR7 este sábado, dia 7... do mês 7. Uma questão de simbolismo a que o astro português dá muita importância.
Já há várias semanas que era aventada pela imprensa mundial, com destaque para a espanhola, a possibilidade de Ronaldo mudar definitivamente de ares neste verão. O próprio, refira-se, contribuiu para tal rebuliço quando, após a conquista de mais uma Liga dos Campeões, prometeu tomar uma decisão em relação ao futuro em breve.

Nos últimos dias, logo após a eliminação de Portugal do Mundial, os rumores que punham o internacional luso na Juventus começaram a ganhar forma, e tudo se precipitou logo na madrugada de quinta-feira. Em reunião entre Jorge Mendes e a direção do Real Madrid, o presidente Florentino Pérez terá acedido às pretensões de Ronaldo, prometendo deixá-lo sair caso surgisse uma proposta de 100 milhões de euros. Jorge Mendes garantiu então a chegada para muito breve de um cheque com esse valor assinado pela Juventus. Segundo a imprensa espanhola, chegou ainda a estar na mesa um possível aumento salarial que pudesse convencer Ronaldo a permanecer em Madrid, mas não houve acordo, pelo que o adeus do avançado madeirense ficou desde logo decidido.

Os 100 milhões da discórdia

Os tais 100 milhões, de resto, terão estado mesmo na origem do deteriorar de relações entre Cristiano Ronaldo e a direção merengue. De acordo com a Marca, o Real terá definido em janeiro esse valor – muito abaixo dos mil milhões de cláusula de rescisão que constavam no contrato – como suficiente para deixar sair CR7 para qualquer clube que não um rival direto. Essa decisão terá incomodado Ronaldo, que considerou o valor «baixo» tendo em conta o que já deu ao clube desde que ali chegou, no verão de 2009. «Se só valho 100 milhões é porque não me querem», terá dito então o avançado português – que é, com 451 golos em 438 jogos, o melhor marcador da história do Real Madrid.

Paixão antiga

À sua espera, Cristiano Ronaldo tem um contrato de quatro anos e 30 milhões de euros (limpos) por cada época de união à vecchia signora (2,5 por mês). CR7, recorde-se, já por mais do que uma ocasião revelou ter uma paixão de infância pela Juventus – disse-o, por exemplo, em dezembro de 2017, numa entrevista a Alessandro Del Piero, uma lenda da Juve. Três meses mais tarde, após marcar o fantástico golo de bicicleta à Juventus em Turim, para a Liga dos Campeões, Ronaldo foi aplaudido de pé por todo o estádio e não escondeu a emoção. «Foi dos momentos mais bonitos da noite. Receber uma ovação dos fãs de um clube histórico é uma experiência única. Desde miúdo que gosto da Juventus, adorava vê-los jogar. Ver tantos bianconeri a aplaudir-me tocou-me o coração», disse então.

Até à hora do fecho desta edição, o negócio ainda não havia sido oficializado. Diversas reações de elementos com conhecimento de causa, porém, levavam a crer que tal estará mesmo por horas. Durante a tarde de quinta-feira, Luciano Moggi, ex-presidente da Juventus, escreveu no Twitter que Ronaldo até já tinha assinado pela vecchia signora e feito os exames médicos em Munique. «É o que eu acho depois de ter conversado com algumas pessoas importantes», acrescentou depois à imprensa italiana. Pouco depois, ao Record, Jorge Mendes não confirmou a transferência... mas quase: «Se o Cristiano Ronaldo sair do Real Madrid ficará eternamente grato ao clube, ao presidente, a toda a direção, a todo o staff médico, a todos os funcionários sem exceção, aos adeptos e a todos os madridistas espalhados pelo mundo. Se tal vier a acontecer será apenas uma nova etapa e um novo desafio na sua brilhante carreira».

Nos últimos dois dias, as ações da Fiat, controlada pela família Agnelli (igualmente dona da Juventus), lideraram as subidas na bolsa de Milão: mais de 4 por cento. As da Juventus, por seu lado, já iam numa valorização de mais de 35 por cento desde o início da semana à hora do fecho desta edição – uma valorização de mercado de mais de 200 milhões de euros.

O ‘golpe do século’, como lhe chama a imprensa italiana, irá contribuir muito para devolver visibilidade e importância à Serie A, que depois do auge nas décadas de 80 e 90 atravessa nos últimos 20 anos uma fase de menor fulgor.

Curiosamente, nesta pré-temporada, Cristiano Ronaldo pode defrontar o Benfica... e o Real Madrid. Os três clubes irão competir no prestigiado torneio International Champions Cup, nos Estados Unidos: o jogo entre as águias e a vecchia signora está marcado para o próximo dia 28, na Red Bull Arena (Harrison, New Jersey), enquanto o embate entre a Juve e os merengues terá lugar a 4 de agosto na FedExField, em Washington.