Economia

OCDE. Portugal regressa aos valores da recessão

A economia portuguesa continua a abrandar. De acordo com os dados da OCDE, em maio, esta trajetória descendente no ritmo de crescimento foi mais forte.

A análise da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) mostra que o índice compósito se situou em 99,30 pontos no mês em questão. No fundo, falamos do nível mais baixo desde setembro de 2013, uma altura em que Portugal passava por um período de recessão.

Mais: o resultado do mês de maio vem traduzir-se no nono mês consecutivo de quedas. Desde que Portugal começou a perder terreno, destaca-se a descida em termos homólogos: 1,44%.

Já no contexto geral pode dizer-se que os países da OCDE estão a ter um crescimento estável. Nota apenas para um abrandamento na Zona Euro, onde se inclui França, Itália e Alemanha.

Novo máximo histórico. Dívida pública sobe, sobe sem parar

Portugal voltou a atingir um máximo histórico mas, desta vez, não é bom sinal. A dívida pública portuguesa aumentou 300 milhões de euros em maio, atingindo assim os 250,3 mil milhões de euros.

“Em maio de 2018, a dívida pública situou-se em 250,3 mil milhões de euros, refletindo um aumento de 0,3 mil milhões de euros nos empréstimos relativamente ao final de abril”, evidencia o Boletim Estatístico do Banco de Portugal (BdP), divulgado na semana passada.

Falamos de um valor que ainda é mais elevado do que quando soaram as campainhas de alarme, em agosto passado, altura em que o endividamento atingiu os 250,296 mil milhões de euros.

“Os ativos em depósitos das administrações públicas diminuíram 1,1 mil milhões de euros, tendo a dívida pública líquida de depósitos registado um acréscimo de 1,4 mil milhões de euros em relação ao mês anterior”, revela o regulador, deixando claro que assim, e quando subtraídos os ativos de depósitos das administrações públicas, a dívida líquida atingiu o valor que se transforma agora em novo máximo histórico.

Olhando para o mês anterior, pode dizer-se que a dívida pública também tinha subido pois, em abril, a dívida portuguesa cresceu 4,3 mil milhões de euros em relação a março, mês em que era de 245,3 mil milhões, ou seja, 126,4% do produto interno bruto (PIB).

As previsões do governo apontam para que, no final deste ano, o rácio diminua para 122,2%, mas as contas começam a complicar-se. O valor dos primeiros três meses deste ano mostra que vamos acima dos 125,7% de dezembro de 2017.

Ainda assim, é de notar que para junho se espera uma redução, uma vez que foram abatidos 6,6 mil milhões de euros de uma linha de obrigações que atingiu a maturidade.

Governo quer melhoria

Inicialmente, a promessa de Mário Centeno apontava, em agosto, para um rácio da dívida pública igual a 127,7%, mas o executivo de António Costa acabou por prever um resultado ainda mais ambicioso. A justificar esta previsão estava o facto de a economia ter crescido acima do esperado e de as contas públicas apontarem para saldos primários positivos.

A questão da dívida pública continuou a ganhar especial importância tendo em conta que o aumento que se registou durante o mês de agosto superou, pela primeira vez, a fasquia dos 250 mil milhões de euros, atingindo assim um valor histórico – um aumento que ficou conhecido apenas alguns dias depois de Mário Centeno ter prometido que a dívida pública iria ter, ainda este ano, a maior redução dos últimos 19 anos.

“Vai reduzir-se, isso é uma certeza. A própria S&P já faz referência a isso”, começou por dizer. “No fim do ano prevemos ter a dívida pública em 127,7% do PIB. Em relação ao final do ano passado será a maior redução em 19 anos da dívida pública em percentagem do PIB”, sublinhou o ministro Mário Centeno.

Marcelo desvaloriza subida da dívida

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu à subida da dívida pública portuguesa e garante que é preciso confiar que vai descer daqui a uns meses. O Presidente da República entende que se deve relativizar os dados avançados pelo Banco de Portugal (BdP) e garante que, “quando for a altura do reembolso, daqui por uns meses, desce o montante da dívida. Perguntar-se-á: mas por que é que não se espera por essa altura para ir contrair dívida para reciclar e substituir a anterior? Porque se pensa que, neste momento, é preferível ir ao mercado a esperar por outros momentos”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “há uma época do ano” em que a entidade que emite a dívida entende “que se deve ir ao mercado”. Algo que acontece “ou porque as condições são muito boas - e de facto os números de hoje são simpáticos - ou porque teme que as condições piorem”, diz Marcelo Rebelo de Sousa.