Opiniao

Sporting passado, presente e futuro

Orgulho-me, sem esquecer que os últimos três meses correram francamente mal, de ter pertencido desde 2013 ao Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal 

Mantive-me em silêncio nos últimos tempos porque entendi que era assim que melhor servia os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal. Reconheço que as coisas correram muito mal nos três últimos meses para o nosso Clube, mas sobre este período irei pelo mesmo princípio de salvaguarda dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal manter-me em silêncio. Considero que este ainda não é o momento pela curta distância percorrida de, sobre ele, me pronunciar e porque entendo que em nada contribuiria para o presente e futuro de sucesso que todos nós Sportinguistas ambicionamos.

As minhas tomadas de decisão foram sempre por imperativo de consciência, no respeito por princípios e valores que acredito e que jamais abdicarei. Todas as decisões tiveram por base a informação disponível, desde pareceres jurídicos e informação diversa recolhida nos serviços que me permitiram sempre decidir em consciência que tomava a decisão mais acertada para o Clube. Hoje, em iguais circunstâncias, faria o mesmo mas sublinho que há que ter a consciência que a avaliação das decisões tem que ter sempre presente o tempo e o espaço em que são tomadas e a informação então conhecida. 

 

Permaneci no exercício de funções desde o primeiro dia em que fui eleito até ao último dia em que os Sócios se pronunciaram. E se assim foi, é porque considero que são os Sócios que mandam e que é através da vontade por estes expressa no local certo que as decisões têm de ser tomadas. Foi assim quando fui eleito por larga maioria e de igual forma na Assembleia Geral do passado dia 23 de junho. Reunião magna esta, na qual não pude participar por deliberação da Comissão de Fiscalização (nomeada e não eleita), decisão essa que considero ilegítima e injusta e vai contra os princípios de um estado de direito, condenando por delito de opinião e por decisões de quem estava legitimado para as tomar, acusando sumariamente sem dar possibilidade de contraditório numa AG onde se definia o destino do órgão de gestão.

 

Para quem me conhece, sabe que sou fiel a princípios e valores, regendo a minha conduta por sólidos princípios éticos e morais e não tenho medo de enfrentar dificuldades mesmo sabendo que elas me possam trazer, como trouxeram, prejuízos pessoais e profissionais. O mais fácil para mim seria ter-me demitido, até havia quem me tenha querido ‘aliciar’ para que tomasse essa decisão mas desengane-se quem tem tais práticas porque eu não estou nem nunca estarei à venda. 

Agi e agirei sempre de acordo com a minha consciência. Já tinha vida antes de exercer funções diretivas no Sporting Clube de Portugal e assim continuarei a ter agora que deixei de ter responsabilidades na gestão mas atenção não deixei de ser, nem nunca deixarei de ser Sportinguista e empenhado na defesa dos seus superiores interesses, seja na bancada ou em que fórum for.

Orgulho-me, sem esquecer que os últimos três meses correram francamente mal, de ter pertencido desde 2013 ao Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal, órgão de gestão e como tal ter contribuído para recuperar um clube falido, o orgulho dos Sportinguistas e torná-lo desportivamente competitivo. Foi esta obra que veio a permitir que fizéssemos o pleno de conquistas nas nossas modalidades, com o último titulo a ser alcançado no Pavilhão João Rocha construído e inaugurado no nosso mandato. Passei muitos dias e noites a trabalhar contribuindo para erguer o nosso Clube, em silêncio mas sempre a trabalhar.

Tenho também orgulho das áreas em que fui diretamente responsável, como por exemplo o Jornal Sporting, ou ter estado na criação de raiz da Sporting TV, acompanhando todo o processo desde a origem até o canal ficar consolidado e sustentável, tal e qual como acontece atualmente. Hoje as suas transmissões 24 horas por dia podem ser vistas a nível mundial, projetando o nosso Clube, divulgando os nossos feitos, constituindo ainda importante instrumento de financiamento das nossas modalidades

 

No próximo dia 8 de setembro, os Sócios do Sporting Clube de Portugal irão ser chamados a eleger os novos órgãos sociais. Alguns protocandidatos são já conhecidos e outros virão por certo. Todos que consideram estar em condições de servir o Clube que lhes seja permitido concorrer e que os Sócios, uma vez mais, legitimamente se pronunciem livremente e em consciência como sempre o fizeram. Pela minha parte continuarei atento e preocupado com os destinos do nosso Clube do coração e sinto-me livre para apoiar, se assim o entender, uma solução que queira dar continuidade àquilo que de bom foi feito desde 2013 e se disponha para lutar e servir pelos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

 

Ex-membro do Conselho Diretivo do Sporting