Sociedade

Uma dívida de 3000 euros 'atirou' Pedro para a rua num protesto que já dura há um mês

Uma dívida de cerca de 3000 euros ‘atirou’ Pedro para um a rua, num protesto que já dura há mais de um mês.

Na edição do Jornal i desta quarta-feira, Pedro relata as dificuldades que passou ao longo da vida e que acabaram por obriga-lo a viver na rua. Empresário da Figueira da Foz de 59 anos, Pedro Ribeiro conta que os problemas começaram nos anos 80 quando era proprietário de uma empresa têxtil na zona da Figueira que acabou “devido a um corte de crédito da banca”, acabando por ficar endividado.

Pedro Ribeiro queixa-se que na altura “o crédito era diferente e nunca teve abertura dos bancos para renegociar a dívida. Nem tinha condições para o fazer. Naquela altura a pressão era tal que não conseguia sair daquele emaranhado.” Pedro diz que nunca teve oportunidade de refazer a sua vida: “Há uma informação bancária que não me permite recorre ao crédito durante 22 anos por causa de uma dívida de 3000 euros”, relata ao i.

Ainda assim, Pedro tentou por diversas vezes inverter o rumo da sua vida, mas as portas acabavam sempre por se fechar. “Soube dos 22 anos de impedimento de acesso ao crédito através de uma proposta ao centro de emprego para a criação do próprio posto de trabalho. Foi aprovado o projeto, onde metade era de subsídio de desemprego e outra metade era crédito bancário. Foi-me recusado o microcrédito mesmo com o aval do Estado”, lamenta.

O i faz o paralelismo com as várias notícias que têm vindo a público em que os bancos têm perdoado dívidas a várias em empresas, como o caso do grupo de Braga DST, do empresário José Teixeira, que depois de requerer insolvência a banca perdoou perto de 45 milhões de euros de dívida, tal como a restruturação financeira da Sporting SAD ainda sob a administração de Bruno de Carvalho em que a banca acabou por garantir um perdão de 94,5 milhões de euros de dívidas bancárias, sendo que no caso do empresário Pedro Ribeiro uma dívida de perto de 3000 euros ‘atirou-o’ para a rua e ficou impedido de ter acesso a crédito bancário durante 22 anos.