Opiniao

As histórias da Carochinha…

O caos ‘aterrou’ no aeroporto de Lisboa. Pior: o caos já estava previsto e ninguém se mexeu. Os operadores desesperam. Os passageiros são já instados a comparecer com três horas de antecedência, os atrasos e os cancelamentos são frequentes - com relevo para a TAP -, as queixas aumentam, o ‘jogo do empurra’ prossegue imparável e o ministro do Planeamento, Pedro Marques, saiu-se com a fulgurante ideia de apontar Beja como alternativa, «face ao esgotamento» da Portela. 

Compreende-se. É um ‘elefante branco’ criado por outro Governo socialista e está quase deserto. Com a casa desarrumada e os ‘hóspedes’ desconfiados, as prioridades do Governo são outras e não passam por ninharias, como aeroportos saturados. 

Segundo o Expresso online, Lisboa registou seis milhões de passageiros nos primeiros três meses do ano; enquanto no mesmo período coube ao aeroporto de Beja receber… 29 passageiros!

Pode aferir-se - por ridícula que seja a comparação - da importância daquela infraestrutura aeroportuária alentejana, inaugurada com trombetas em Abril de 2011 pelo Governo socialista de José Sócrates, com o PCP rendido a tamanho progresso, e envolvendo o módico encargo para o erário público de 33 milhões de euros, fora os custos de funcionamento desde então.

Nada que perturbe o Movimento Amalentejo - nem o PCP, em perda acelerada de influência autárquica nos seus bastiões tradicionais -, ao defender que o aeroporto de Beja «como alternativa à construção de um novo aeroporto no Montijo é um imperativo nacional». Nem menos. 

Os milhões ali enterrados, sem retorno, não apoquentam o movimento. Afinal, a distância de 175 km a Lisboa é um mero pormenor, embora seja quase seis vezes superior à do Montijo (32 km). Mas que importa? 

São minudências que não contam. O facto de o Aeroporto de Beja estar ‘às moscas’ - praticamente desde que foi inaugurado, por desinteresse dos operadores - também é algo que apenas impressiona quem faz contas a este ex-libris do desvario, que fez carreira com Sócrates e com vários ministros repetentes no atual Executivo.  

Depois da Ota e de Rio Frio, o Montijo parecia ser uma solução consensual, menos para os ambientalistas, propensos a ser sempre contra qualquer coisa que estremeça o bucolismo da paisagem. 

Misteriosamente, porém, o Montijo desapareceu dos radares mediáticos, apesar dos protestos na Portela.

O turismo - essa ‘galinha dos ovos de ouro’ - deslumbrou muita gente, que não perdeu tempo a planificar quer as infraestruturas aeroportuárias, quer a malha urbana.

Mas não é só o Aeroporto da Portela que está ‘a rebentar pelas costuras’. A degradação do Serviço Nacional de Saúde soma e segue, com urgências hospitalares a pedirem socorro, como a de S. José, onde vários médicos chefes de equipa ‘atiraram a toalha ao chão’ e demitiram-se em bloco, por não se conformarem com as condições precárias e de insegurança existentes.

Uma situação que o bastonário dos médicos diz ser o espelho do que «está a acontecer no país todo», prevendo que «isto vai acontecer noutros hospitais».

Se este estado de coisas ocorresse à época de Passos Coelho, ‘caía o Carmo e a Trindade’, numa berrata permanente das nossas esquerdas, com larga cobertura mediática. Hoje, recolhe dos partidos da ‘geringonça’ um inabalável silêncio, como se nada se passasse.

São milhares de cirurgias e de consultas adiadas, engrossando as listas de espera, como já foi denunciado pelo Tribunal de Contas. As cativações na Saúde fazem o seu caminho e os utentes que se amanhem…   

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, ele próprio também médico, tem vindo a desempenhar o papel de um ‘cavaleiro de triste figura’, tal é a sua inépcia política. Está a precisar de ‘cuidados intensivos’, antes que desbarate mais o seu currículo profissional.

As ‘vergonhas’ sentidas em vésperas do Congresso socialista foram para consumo interno - e para se aliviarem da má consciência com Sócrates - e já se desvaneceram. 

Agora, o que conta é provocar ‘ruído’, para ninguém se interrogar sobre o estado calamitoso dos serviços públicos. 

As corporações, cientes da fraqueza do poder, disputam o bodo que surge sempre no perímetro das eleições. É ver quem grita mais alto.

Inchar os quadros da Função Pública a troco de votos agradecidos continua a ser a estratégia de António Costa para compensar a demagógica redução do horário de trabalho para as 35 horas. 

Costa está mais preocupado em sossegar os parceiros da ‘geringonça’ - e mantê-los atrelados, de rédea curta (dizendo-lhes que «o PS não é propriamente uma Carochinha que anda à procura de um João Ratão») -, do que em acudir aos problemas sérios do país. 

Por isso, o esgotamento da Portela ou as carências agravadas na Saúde podem esperar. E quem vier atrás que apague a luz…