Desporto

Ronaldo, Turim e um novo objetivo galático

As negociações foram céleres e a apresentação ainda só não se deu porque CR7 estava de férias. A partir de segunda-feira, a Juventus tem novo 7 e não esconde o desejo de vencer a Champions.

Não aconteceu a 7 do 7, como era esperado pela imprensa italiana, aconteceu três dias depois: desde a última terça-feira, Cristiano Ronaldo é oficialmente jogador da Juventus. Aos 33 anos, o CR7 assinou por quatro temporadas com a vecchia signora, que irá depositar nos cofres do Real Madrid 100 milhões de euros (a pagar em dois anos), além de gastar outros 12 em mecanismos de solidariedade e encargos acessórios (ver curiosidades à direita). Nos bolsos do internacional português entrarão 30 milhões de euros limpos por cada um dos quatro anos de ligação à vecchia signora.

Apesar do noticiado esfriar de relações entre Ronaldo e a direção do Real, encabeçada por Florentino Pérez, a verdade é que a saída acabou por ser oficializada de forma amigável. Na hora do adeus, o clube merengue, sublinhando ter aceite o pedido expresso do jogador para sair, enalteceu o percurso de Ronaldo nos nove anos que passou em Madrid, agradecendo ao «jogador que demonstrou ser o melhor do mundo e que marcou uma das épocas mais brilhantes do clube e do futebol mundial» e lembrando que o CR7 se tornou no máximo goleador da história do Real (451 golos em 438 jogos), além dos 16 troféus conquistados. «Para o Real Madrid, Cristiano Ronaldo será sempre um dos seus grandes símbolos e uma referência única para as próximas gerações. O Real Madrid será sempre a sua casa», pode ler-se no comunicado do clube blanco.

O mesmo tom está presente na carta de despedida de Ronaldo, publicada no mesmo site do Real Madrid. Nesta, CR7 assume ter saído por decisão sua – «Acredito que chegou o momento de abrir uma nova etapa da minha vida», escreveu –, garantindo ainda assim ter vivido «possivelmente os anos mais felizes» da sua vida em Madrid.

Atrás do recorde de Seedorf

A chegada de Cristiano Ronaldo a Turim está agendada para esta segunda-feira – não aconteceu ainda porque CR7 estava a gozar férias na Grécia, depois da participação no Mundial. Agora, irá cumprir os indispensáveis exames médicos e todas as demais formalidades, sendo apresentado no mesmo dia a jornalistas e adeptos.

Na Juventus, Ronaldo irá procurar um objetivo muito específico: a Liga dos Campeões. No caso, conquistá-la por três clubes diferentes, depois de Manchester United (2007/08) e Real Madrid (2013/14, 2015/16, 2016/17 e 2017/18), igualando assim o feito de Clarence Seedorf, até agora o único a consegui-lo (venceu pelo Ajax em 1994/95, pelo Real Madrid em 1997/98 e pelo AC Milan em 2002/03 e 2006/07).

A prova milionária passou a ser, de resto, a grande meta da Juve para a nova época. Para os bianconeri, vencer o campeonato italiano já é um feito absolutamente corriqueiro – somam sete títulos consecutivos. A Champions, pelo contrário, é um desejo antigo e que tem fugido invariavelmente à vecchia signora desde 1995/96. Nas últimas duas décadas, de resto, somam quatro finais perdidas (1997/98, 2002/03, 2014/15 e 2016/17). Agora, com Cristiano Ronaldo nos seus quadros, a exigência aumenta automaticamente. «Cristiano Ronaldo é um reforço importantíssimo e um grande salto de qualidade. É um excelente profissional e representará uma grande mais-valia para uma equipa como a nossa. Liga dos Campeões? O objetivo de a vencer esteve sempre lá, mas a aquisição de Cristiano Ronaldo dá-nos ainda mais responsabilidade e consciência para alcançá-lo. Isso, claro, juntamente com a conquista do campeonato, da Taça de Itália e da Supertaça... São os quatro objetivos pelos quais a Juventus sempre luta», assumiu já o técnico Massimiliano Allegri.