Politica

Vem aí o bloco central?

A crise na ‘gerigonça’ relançou o cenário do Bloco Central. «Há todas as condições. António Costa prefere Rui Rio», diz ao SOL Luís Nobre Guedes. Entrevista de Santos Silva reforçou a ideia de que esta aliança não é impossível

As garantias dadas por António Costa de que não quer fazer um Bloco Central não convencem o centrista Luís Nobre Guedes. Retirado da política ativa, o ex-ministro centrista não deixou de ter intervenção pública e, no programa que partilha semanalmente com Marçal Grilo, na televisão pública, mostrou-se convicto de que o líder socialista está a preparar o terreno para um acordo com o PSD. Ao SOL, Nobre Guedes explica que, com o PCP e o CDS fora da equação, só existem duas hipóteses de alianças a seguir às eleições legislativas: «O PS com o Bloco de Esquerda ou o PS com o PSD. Acho que não vai haver terceira alternativa». Perante este cenário, o ex-dirigente do CDS pensa que «há todas as condições» para o regresso do Bloco Central, porque António Costa «não tem dúvidas nenhumas que prefere  o PSD e Rui Rio dá-se muito, muito bem, com António Costa. Têm um entendimento muito fácil».  

O centrista comentou a entrevista de Augusto Santos Silva ao Público/RR e viu nela um sinal de que o secretário-geral dos socialistas está a tentar manter o equilíbrio entre os que são a favor e contra a renovação da ‘geringonça’ para não dar «nenhum sinal que seja irreversível», porque «gostaria de fazer um acordo com o PSD e com Rui Rio».

A possibilidade de uma aliança entre os socialistas e o PSD, que só aconteceu uma vez em meados na década de 80 e com o país em crise, é um tema recorrente. Com a proximidade das eleições e a degradação do ambiente na ‘geringonça’, é inevitável que o cenário volte a ser colocado. 

Marques Mendes afirmou, esta semana, que o Bloco Central «é a solução que está mais na cabeça» de António Costa e de Rui Rio. «Eles vivem numa espécie de Bloco Central informal. Eles vivem, hoje, em espírito de Bloco Central. Não se atacam um ao outro, telefonam-se um ao outro. Rui Rio tem uma grande admiração e respeito por António Costa».

A aproximação entre o Governo e o PSD, desde que Rui Rio chegou à liderança, contribuiu para que, no caso de o PS não ter maioria absoluta, este seja um cenário apontado como viável. O que era impensável com Passos Coelho tornou-se possível com Rui Rio e depressa Costa e Rio fizeram um acordo sobre os fundos comunitários e a descentralização. António Costa não se cansa de garantir que «governações de Bloco Central não são boas para a democracia». Faz, porém, também questão de dizer que o PSD não tem «lepra». 

A relação com os socialistas dominou a campanha interna do PSD. Rui Rio chegou a admitir viabilizar um governo socialista e é apologista de acordos de regime. Garantiu, porém, esta semana, que «o Bloco Central só faz sentido numa situação absolutamente extraordinária do país».

A reedição da aliança ao centro está longe de ser um tema consensual nos dois partidos. A ala esquerda do PS nem quer pensar em trocar a ‘geringonça’ por um acordo com Rio. Os críticos do atual líder  querem distanciamento dos socialistas. Luís Montenegro deixou-o claro quando assumiu, em pleno congresso, que não desdenha ser candidato à liderança. «O país não precisa de um Bloco Central», disse.