Politica

Reações à morte de João Semedo

Ex-coordenador do Bloco de Esquerda (BE) morreu esta terça-feira, aos 67 anos

Depois de uma longa batalha contra um cancro nas cordas vocais, João Semedo acabou por morrer esta terça-feira, dia 17 de julho, aos 67 anos.

As reações à sua morte não se fizeram esperar.

Depois de Catarina Martins - uma das primeiras a reagir à morte do antigo coordenador do BE – também Marisa Matias lamentou, em declarações à Lusa, a morte de João Semedo, considerando que esta era uma referência política fundamental.

"O João era um dos imprescindíveis. Creio que fica e ficará sempre a forma como ele se debateu por um país mais decente para toda a gente e a forma como o fez, com alma, com coração, com garra, sem nunca abdicar de nenhuma das lutas essenciais para a vida de toda a gente".

 

 

Também o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, recordou o ex-dirigente do BE como sendo um “homem de diálogo e de convicções” e garantiu que este deixará uma “imensa saudade”.

Numa mensagem publicada no site do parlamento, Ferro Rodrigues afirma que Semedo "como dirigente e coordenador do Bloco de Esquerda contribuiu decisivamente para a consolidação do partido e para a atual solução de governo".

O presidente da Assembleia da República recorda ainda o médico como "uma das principais personalidades políticas da última década e meia" e a sua "defesa cívica e política do Estado Social, e em particular do serviço nacional de saúde" como algo que "perdurará como exemplo na memória de todos".

O Bloco de Esquerda também rapidamente reagiu à morte do seu antigo dirigente, numa nota enviada à Lusa: "O Bloco de Esquerda informa que morreu esta manhã João Semedo, com 67 anos, médico e militante político, e transmite à sua mulher, ao seu filho e a toda a família as mais sentidas condolências".

O BE considera que "a perda de João Semedo é de todos os que partilharam o seu ímpar e diversificado percurso, que com ele lutaram, aprenderam e conviveram, na política e na vida".

O Partido Comunista Português também reagiu à morte do médico e ex-coordenador do BE: "Perante a notícia do falecimento de João Semedo, o PCP endereça à família e à Direcção do Bloco de Esquerda, as suas condolências."

O historiador Fernando Rosas deixou uma palavra de homenagem ao médico, afirmando que este "foi um homem livre, tranquilo, determinado e que travou batalhas até ao fim", sublinhando que mesmo "consciente da sua situação de saúde” se manteve “sempre empenhado nas questões políticas em que acreditava".

"João Semedo nunca desistiu de lutar. Foi militante e dirigente do Partido Comunista Português, mesmo antes do 25 de Abril, e dirigente do Bloco de Esquerda até à morte", afirmou Fernando Rosas.

Em declarações à Lusa, Ana Jorge, médica e política, afirmou que"João Semedo sempre foi uma pessoa respeitadora do outro, dedicado a causas, sempre com muita honestidade, verdade e aprofundando sempre os conhecimentos com respeito pela posição de cada um", ressalvando que "mesmo nas questões políticas, tinha sempre uma grande capacidade de diálogo".

"Mesmo na causa da morte assistida e na possibilidade de cada um decidir o seu fim de vida, deu um grande contributo para o conhecimento e para a discussão, colocando o assunto na ordem do dia, sempre de forma muito profissional e humana”, declarou.

O Partido Socialista também já emitiu uma mensagem em reação à morte do médico. Em declarações à Lusa, a porta-voz do PS, Maria Antónia Almeida Santos, afirmou que "o PS e os socialistas receberam com profunda tristeza esta notícia. João Semedo foi um combatente pela liberdade, um democrata e um resistente até ao fim por várias causas. O PS envia as mais sentidas condolências à sua família e ao Bloco de Esquerda".

Além disso, a porta-voz do PS refere ainda que o médico "foi um humanista que entregou a medicina ao serviço da política".

"Como deputado foi um lutador sempre leal. Apesar das diferenças, foi um político com quem sempre deu gosto partilhar e discutir as nossas posições. Tocou no coração de pessoas de todo o espetro político", disse ainda Maria Antónia Santos.

A deputada e dirigente do CDS-PP, Isabel Galriça Neto, lamentou esta terça-feira a morte de João Semedo, recordando que, apesar das divergências políticas, este era um "bom amigo".

"No dia da sua morte, e celebrando a sua vida, quero falar daquilo que está para além das divergências na política, que é o amor à liberdade, o respeito, as convicções, a coragem, e esses são valores que eu reconheço na vida do João Semedo, permanecem na minha memória, e hoje curvo-me perante essa memória", disse à Lusa Galriça Neto.

Maria Mortágua,  deputada do BE, afirmou, depois de saber da sua morte, que João Semedo era um homem assertivo, bem-humorado, trabalhador, corajoso e incansável, tendo dado um grande contributo na área da saúde.

“Há um conjunto de temas em que o João era um especialista e deixou esse contributo. Nos últimos tempos participou em duas enormes campanhas: uma pela nova lei de bases da saúde e outra em que se empenhou com muito afeto e vontade que foi a despenalização da morte assistida”, avançou à Lusa a deputada.

“Era um homem assertivo, bem-humorado, trabalhador, corajoso e mais uma vez não deixou ninguém indiferente e deixa-nos a todos um grande contributo mas também uma perda também do seu contributo pela falta que vai fazer”, concluiu Mortágua.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, reagiu à morte de João Semedo afirmando que “esta era uma notícia que todos aguardávamos, mas que ninguém queria receber”.

“Infelizmente, apesar do João dizer que a morte o apanharia feliz, a nós deixa-nos tristes", disse o ministro.

"Era um homem sério e bom, dedicado à causa publica e com um sentido muito apurado do que é o dever de cada um de nós para com os outros", sublinhou.

"O Semedo estará sempre no nosso pensamento, pelo exemplo de vida, pela coragem com que lidou com a doença, pela dignidade como soube aceitar o fim da vida e como morreu", terminou Adalberto Campos Fernandes.

A reação do líder do PSD, Rui Rio, à morte de João Semedo também não tardou em chegar, e o social-democrata refere que João Semedo estará sempre presente na sua memória.

"O dr. João Semedo era alguém que vou guardar na minha memória como uma pessoa que estava na vida pública por causas e convicções e em circunstância alguma por qualquer interesse pessoal. Isso hoje vai escasseando cada vez mais e, portanto, tenho um grande respeito por toda a gente que está assim na vida pública", declarou Rui Rio à Lusa.

"Pese embora as grandes diferenças ideológicas que tínhamos, eu acho que o dr. João Semedo faz realmente falta à política portuguesa", destacou o líder do PSD.

Também o deputado do Bloco de Esquerda e vice-presidente do Parlamento José Manuel Pureza recordou esta terça-feira o ex-coordenador do partido, João Semedo, como alguém que "era um ativista da transformação da sociedade" com uma generosidade sem fim".

Visivelmente emocionado com a partida de João Semedo, aos 67 anos, Pureza defendeu que "o João nunca se cansou, mesmo quando a doença o limitava severamente, de querer contribuir valentemente para a nossa Democracia. Até ao último momento da sua vida consciente".

Numa declaração aos jornalistas, no Parlamento, José Manuel Pureza caraterizou a personalidade do antigo deputado como a de alguém que "conhecia a realidade como poucos" e que deu muito ao País, no Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, na conquista de direitos, sempre num registo "de luta elegante".