Opiniao

A hipocrisia

Trump está a ser diabolizado por estar a fazer exactamente o mesmo que o seu antecessor fez, limitando-se a cumprir uma lei que não foi por ele aprovada!

Em 1997, em pleno consulado Clinton, uma decisão judicial proibiu que as autoridades de imigração mantivessem crianças em centros de detenção por mais de 20 dias, mesmo que estas se encontrassem nessa situação para poderem estar acompanhadas dos pais.

Esta medida obrigou à separação das crianças dos respectivos pais, sempre que estes eram detidos pela prática de qualquer tipo de crime que implicasse a privação da liberdade.

Uma das maiores dores de cabeça das autoridades norte-americanas tem sido, principalmente nas últimas décadas, a imigração ilegal, pelo que a administração Obama, com o propósito de reduzir aquele flagelo, aprovou uma lei que veio criminalizar a reentrada no país após deportação.

Como consequência dessa decisão, as famílias reincidentes em atravessar a fronteira sem a necessária documentação começaram a ser separadas, recorrendo-se, para o efeito, a uma rede de centros de detenção, exactamente a mesma que agora está a ser utilizada pela actual administração para os mesmos fins.

Até há muito pouco tempo as consciências dos habituais protagonistas da opinião publicada por esse mundo fora viveram em paz com esta realidade, não se preocupando minimamente com o triste destino das pobres crianças.

Tratava-se de um problema que não lhes dizia respeito e pelo qual nenhuma voz se fez ouvir em solidariedade com as vítimas e de repulsa pela insensibilidade dos responsáveis políticos dos EUA.

Bastou a publicação recente de algumas fotografias em que crianças apareciam enjauladas, aparentemente  separadas de pais detidos por entrarem ilegalmente no país, para que uma cadeia humana à escala mundial se revoltasse contra o presidente norte-americano, equiparando-o aos mais ignóbeis ditadores que a humanidade conheceu, nomeadamente muitos ainda venerados pela militância esquerdista.

Naturalmente que a coincidência de algumas dessas fotografias reportarem ao ano de 2014, período em que, imagine-se, o inquilino da Casa Branca respondia pelo nome de Obama, mereceu qualquer reparo destas angustiadas almas.

Trump está a ser diabolizado por estar a fazer exactamente o mesmo que o seu antecessor fez, limitando-se a cumprir uma lei que não foi por ele aprovada!

Obama é, aliás, o detentor do recorde de expulsões de imigrantes, tendo mandado deportar 2,7 milhões de pessoas, incluindo centenas  delas com ascendência açoriana, mas nascidas nos EUA e que nem português sabiam falar.

Poucas vozes se fizeram ouvir, então, como protesto pela violação dos direitos humanos dessas gentes, nomeadamente em Portugal, onde aqueles que agora vociferam contra o presidente norte-americano na altura permaneceram de bico calado. 

Ainda em plena campanha eleitoral Trump prometeu construir um muro a separar os EUA do México, com o propósito de controlar a imigração ilegal.

Como seria de esperar um coro de indignação espalhou-se rapidamente um pouco por toda a parte, equiparando-se a anunciada obra ao muro de Berlim e acusando-se o então candidato de racismo e xenofobismo, para além de outros habituais impropérios.

Os acusadores esqueceram-se, no entanto, de um pequeno pormenor: Trump não prometeu construir um muro novo, mas sim concluir o já existente!

Na verdade não foi o actual presidente quem se lembrou de recorrer a um muro para combater a imigração ilegal que diariamente transpõe a fronteira que divide os EUA e o México, mas sim Bill Clinton, que logo deu início à agora diabólica empreitada!

E, actualmente, esse muro ultrapassa já os mil quilómetros de comprimento, tendo a sua construção passado incólume, durante as duas últimas décadas, às críticas dos preocupados e ideologicamente desinteressados defensores dos direitos de quem procura melhores condições de vida junto dos seus vizinhos norte-americanos.

Também foi Clinton quem, em 1995, fez aprovar uma lei, denominada “Jerusalem Embassy Act”, que determinava a mudança da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, reconhecendo, assim, esta última cidade como a capital de Israel.

O texto da lei apontava Maio de 1999 como data para a mudança, realçando, no entanto, a possibilidade desse limite temporal ser adiado por motivos de segurança nacional.

Todos os presidentes que lhe sucederam, sem excepção, reafirmaram esse propósito e apoiaram Israel no seu direito a escolher livremente a cidade capital.

Bastou Trump manifestar o seu desejo de dar cumprimento à decisão dos seus antecessores para, uma vez mais, se gerar uma onda de indignação, cujas consequências resultaram na morte de dezenas de palestinianos em manifestações de rua.

Até então nenhum protesto se fizera ouvir, particularmente quando Clinton e Obama em alocuções públicas e felizmente registadas, para que esses discursos não possam vir a ser negados pelos seus fiéis apoiastes, deram razão a Israel na pretensão que agora todos parecem querer rejeitar.

Nessa altura a paz no próximo oriente não estava em causa!

Os políticos europeus, amparados por uma comunicação social submissa aos arautos do politicamente correcto e pelos auto-intitulados agentes da cultura, que se arvoram em seres superiores pelo simples facto de pensarem à esquerda, não se cansam de alertar para os perigos que estas decisões políticas de Trump, bem como outras de pendor idêntico, representam para a paz mundial.

No entanto mantiveram-se estranhamente em silêncio quando os antecessores do actual presidente, em particular Obama, seguiram praticamente o mesmo caminho.

A hipocrisia representa hoje, sem qualquer dúvida, a imagem de marca da maioria daqueles que  agora governam esta envelhecida e decadente Europa.

Pode-se discordar do rumo tracejado por Trump, nomeadamente quanto às medidas que mais polémica têm causado; pode-se, com evidente fundamento, questionar a sua preparação para um dos cargos mais exigentes, senão mesmo o mais exigente, à face da terra; pode-se não suportar o seu trato rude e vaidoso e o estilo agressivo a que recorre no relacionamento com os seus homólogos; não obstante há um mérito que lhe deve ser reconhecido, o de estar a cumprir, uma por uma, as promessas que marcaram a sua campanha eleitoral e que foram sufragadas pela maioria dos norte-americanos.

Trump limita-se a procurar implementar o programa eleitoral que o levou à presidência, não cedendo a pressões, sobretudo vindas do exterior, e demonstrando coragem ao assumir, com convicção, ideias combatidas pelo pensamento dominante, independentemente de se concordar, ou não, com elas.

Este comportamento de Trump, a mania de impor as políticas escolhidas pelo seu eleitorado, irrita de sobremaneira os políticos europeus, habituados que estão a prometer mundos e fundos quando tentam cativar o voto dos eleitores, esquecendo-se rapidamente, assim que se acomodam na cadeira do poder, das promessas que estiveram na base das escolhas daqueles que neles votaram.

Políticos que uma vez eleitos, conscientes da impraticabilidade da aplicação das medidas com que seduziram os votantes, optam antes por levar a cabo uma série de negócios públicos não sufragados e manifestamente impopulares, traindo, assim, quem neles confiou.

São estes políticos, acometidos por ciáticas que os fazem cambalear como bêbados, vassalos dos burocratas de Bruxelas que, de facto, governam a maioria dos países europeus, sem que para isso tenham sido mandatados pelo povo que alegam representar, que insistem em destruir a civilização ocidental e levar a Europa à ruína e à decadência moral.

São estes políticos que acima de tudo receiam o precedente agora aberto por Trump: serem obrigados a cumprir o programa eleitoral legitimado pelo voto popular!

Felizmente em alguns países do Velho Continente estes políticos começam a ser apeados do poleiro em que se instalaram. Os que restam, que ainda são muitos, vivem apavorados com o receio de lhes ser infligido o mesmo destino.

E têm razão para esses medos. A sua hora chegará…

 

Pedro Ochôa