Politica

Vieira da Silva e Santos Silva destronam Marques Mendes e Durão Barroso

Marques Mendes e Durão Barroso eram até agora os dois indiscutíveis titulares do recorde de tempo em funções governativas, como secretários de Estado, ministros e, este último, primeiro-ministro, no pós-25 de Abril. Mas os atuais responsáveis socialistas pelas tutelas dos Negócios Estrangeiros e da Segurança Social passam a ser os recordistas. Se ambos chegarem ao fim da legislatura somarão 13 anos no Governo, mais um que Durão e Mendes.

Durante mais de 40 anos de democracia, já passaram largas centenas de políticos pelo Governo, seja como secretários de Estado, ministros ou mesmo primeiros-ministros. Mas não há muitos que, depois do 25 de abril de 1974, contem com mais de 10 anos no poder.

Mas, afinal, quem lidera o top dos políticos que estiveram mais tempo no Governo? E não, não é Cavaco Silva, como se poderia pensar. O primeiro lugar pertenceu durante muito tempo a Marques Mendes e Durão Barroso, com 12 anos de experiência governativa, se somadas as suas passagens por quatro Governos. 

Mas ambos estão agora a ser apeados por uma dupla de ministros socialistas: José António Vieira da Silva e Augusto Santos Silva, ambos com 12 anos de experiência na governação e a caminho do 13º, caso cheguem ao fim da legislatura.

Vieira da Silva é atualmente ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, posição que ocupa desde 2015. Nos dois Governos de José Sócrates, foi ministro do Trabalho e Solidariedade Social, no primeiro, de 2005 a 2009, e ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, no segundo, de 2009 a 2011. Anteriormente, havia sido secretário de Estado da Segurança Social, entre 1999 e 2001, e das Obras Públicas, de 2001 a 2002, durante o segundo Governo de António Guterres. 

Já Santos Silva foi ministro da Educação entre 2000 e 2001 e da Cultura de 2001 a 2002, nos Governos de António Guterres. Com José Sócrates, foi ministro dos Assuntos Parlamentares, de 2005 a 2009, e da Defesa Nacional, entre 2009 e 2011. Em 2015, surge como ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo no qual ainda se mantém no atual Governo chefiado por António Costa. Feitas as contas, o atual número dois do Governo é o político que ocupou durante mais tempo o cargo de ministro. Além disso, foi ainda secretário de Estado da Administração Educativa, de 1999 a 2000.

Ora, se se confirmar o que o SOL noticiou no dia 14 de julho, Augusto Santos Silva será o cabeça de lista do PS nas eleições europeias e não completará o 13.º ano de governação e, portanto, Vieira da Silva ficará isolado no primeiro lugar do top de políticos há mais tempo no Governo.

 

Mendes e Durão apeados 

Marques Mendes integrou os três Governos de Aníbal Cavaco Silva: como secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, de 1985 a 1987; secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, entre 1987 e 1992, e ministro-adjunto do primeiro-ministro, de 1992 a 1995. Fez ainda parte do Governo de José Durão Barroso, como ministro dos Assuntos Parlamentares de 2002 a 2004.

Por outro lado, Durão Barroso foi subsecretário do Ministério dos Assuntos Internos, entre 1985 e 1987, e secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação, de 1987 a 1992. Foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros em 1992 e desempenhou o cargo até 1995. Entre 2002 e 2004, foi primeiro-ministro da República Portuguesa.

Aníbal Cavaco Silva surge apenas no quinto lugar do top dos políticos que estiveram mais tempo no Governo - com 11 anos de experiência na governação -, mas há um aspeto em que é imbatível. Apesar de já ter saído há duas décadas do Governo, é a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo do país desde o 25 de Abril, sendo Primeiro-ministro durante dez anos, de 1985 a1995. Antes disso, tinha sido ministro das Finanças entre 1980 a 1981, no Governo chefiado por Francisco Sá Carneiro.

 

Ministros durante um mês

O segundo Governo de Passos Coelho tomou posse em outubro de 2015, contudo acabou por cair, um mês depois, com a aprovação da moção de rejeição ao programa do Governo apresentada pelo PS. 

Dois dos ministros nomeados por Passos para esse Executivo eram totalmente caloiros em lides governativas: Rui Medeiros, o responsável pela pasta da Modernização Administrativa e Margarida Mano que sucedeu a Nuno Crato e ficou com a pasta da Educação e Ciência. Sendo assim, os dois sociais-democratas somam apenas um mês de experiência na governação.

 

E os independentes?

No caso dos políticos independentes que estiveram no Governo, Guilherme d’Oliveira Martins é provavelmente aquele que conta com mais anos de experiência governativa. Com a chegada de António Guterres ao Governo em 1995, foi chamado a ocupar os cargos de secretário de Estado da Administração Educativa de 1995 a 1999, de ministro da Educação entre 1999 e 2000, de ministro da Presidência de 2000 a 2002 e de ministro das Finanças entre 2001 e 2002. Ao todo, são oito anos em funções governativas.

Em contrapartida, o independente Luís Campos e Cunha esteve no Governo apenas três meses, tendo sido Ministro das Finanças entre março e julho de 2005, no primeiro Governo de José Sócrates.