Opiniao

Sousa craque nos pares a pensar na longevidade

João Sousa apoderou-se esta semana de mais um recorde nacional, o da melhor classificação de sempre de um português no ranking mundial de pares

Dois meses e meio depois de ter-se tornado no primeiro português a vencer um torneio do ATP World Tour em Portugal, em singulares, João Sousa apoderou-se esta semana de mais um recorde nacional, o da melhor classificação de sempre de um português no ranking mundial de pares.

O ‘Conquistador’ de Guimarães é o 56.º da especialidade, uma consequência de ter chegado às meias-finais de dois torneios do ATP World Tour nas últimas semanas, nos Opens da Croácia e da Suíça, em Umag e em Gstaad, ao lado do mexicano Santiago Gonzalez.

Este ano já tinha sido semifinalista no Millennium Estoril Open, tendo como parceiro o argentino Leonardo Mayer, e pouco depois somou outro recorde nacional, ao passar a ser o primeiro português a atingir a final de um torneio do ATP World Tour de categoria Masters 1000, no Open de Itália, em Roma, onde teve ao seu lado o espanhol Pablo Carreño Busta.
E no mais famoso torneio do mundo, em Wimbledon, foi oitavo finalista, associado a Leo Mayer, o parceiro com que foi quarto finalista do US Open em 2015.

Falamos muito de João Sousa em singulares – com três títulos e sete finais perdidas em eventos do ATP World Tour –, mas isso tem escondido as suas proezas em pares, variante em que tem melhorado.

João Sousa disse esta semana que «o ranking não é o mais importante, mas sim o nível que tenho vindo a apresentar. Este ano tenho dado um pouco de mais importância à variante, jogando mais semanas. Os resultados têm sido bons, o nível tem sido muito bom, o que também ajuda para tentar melhorar alguns aspetos em singulares».

O serviço, a resposta e o vólei são os detalhes técnicos que mais progridem com uma aposta nos pares e, aos 29 anos, são muito importantes porque poderão permitir-lhe, no futuro, quando a resistência física for menor, ganhar pontos mais rapidamente, como menos desgaste.

Muitos jogadores têm evoluído nesse sentido depois dos 30 anos e esta decisão de João Sousa e do seu treinador, Frederico Marques, tem já em vista a longevidade da sua carreira.

Isto numa perspetiva de longo prazo, porque no curto prazo há outros efeitos benéficos, como o reforço da conta bancária, pois está perto do meio milhão de euros de prémios monetários de carreira só em pares, face aos quatro milhões em singulares.

Outra vantagem importante é manter-se concentrado e em mentalidade de competição durante mais tempo, em semanas em que as coisas lhe corram menos bem nos singulares. Os bons resultados de pares mantêm-lhe a motivação em alta.