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CDS antecipa-se nas europeias, um teste para as legislativas

O CDS deu o pontapé de saída para as europeias de Maio de 2019, mas é o único partido que já anunciou a lista, com Nuno Melo à cabeça.

As próximas eleições para o Parlamento Europeu decorrerão entre 23 e 26 de maio de 2019. Em Portugal, como é da tradição, deverão ocorrer num domingo, dia 26, e funcionarão como um teste eleitoral para todos os partidos, dado que menos de cinco meses depois serão as eleições legislativas.

O CDS deu o tiro de partida e já arrancou com a campanha, no dia 19 de julho. Nuno Melo, o único eurodeputado dos centristas, é o cabeça de lista.

Os centristas decidiram seguir o modelo da candidatura de Assunção Cristas à Câmara Municipal de Lisboa e foram os primeiros a anunciar a lista. «É uma estratégia que é nossa. Basicamente queremos tratar e pensar as eleições sem depender dos outros e, num partido como o CDS, as coisas correm bem quando se fazem com tempo. Tivemos essa prova vivida em Lisboa quando Assunção Cristas assumiu a candidatura muito antes de todos os outros e foi até criticada por isso», referiu Nuno Melo ao SOL.

Para Nuno Melo, o CDS parte para as eleições europeias com «marcas distintivas muito importantes em relação aos outros partidos, como o PS e o PSD». A rejeição do federalismo, por exemplo, contrasta com a sua defesa por parte do atual eurodeputado do PSD Paulo Rangel.

Numa altura em que a Europa enfrenta uma crise de refugiados, o candidato do CDS defende o acolhimento, mas com regras. «Em primeiro lugar, todas as pessoas que estão perdidas no mar têm de ser resgatadas, por uma questão de humanidade. Tem de se perceber depois quem são: se são refugiados ou migrantes. Os refugiados devem ser protegidos, desde que preenchidos os respetivos pressupostos e desde que esteja em causa a sua vida ou a dois seus familiares. Já os migrantes, os que procuram trabalho legitimamente, poderão ficar na União Europeia, desde que as leis de imigração que existem o permitam», argumentou o centrista.

O candidato salienta ainda que «a Europa é um espaço de acolhimento, mas também de legalidade» e que, por isso, «só deve ter acolhimento quem esteja disposto a cumprir as nossas leis e respeitar as nossas tradições, cultura e modo de vida».

O objetivo do CDS para as eleições de maio de 2019 é repetir o resultado de 2009, quando elegeram dois eurodeputados. «Eu acredito que nós podemos repetir o cenário de 2009 quando todas as sondagens diziam que o CDS não ia conseguir nenhum eurodeputado e elegemos dois», afirmou Nuno Melo.

Em 2014, os centristas candidataram-se em coligação com o PSD e perderam um eurodeputado. Por isso, e porque «as circunstâncias políticas se alteraram», o CDS optou agora por concorrer sozinho. «Há cenários eleitorais onde o CDS mostra que candidatando-se sozinho tem genericamente melhores resultados do que em coligação», defendeu o atual eurodeputado centrista.

Restantes partidos ainda não apresentaram listas

O PSD ainda não anunciou os nomes dos candidatos, mas dentro do partido fala-se em José Silvano e Adão Silva como prováveis  na lista. Contactado pelo SOL, Silvano negou e afirmou que «não é cargo que algum dia aceitaria». 

O secretário-geral do PSD referiu que o assunto das eleições europeias ainda não foi abordado pelos sociais-democratas e que, portanto, «ainda não há convites».

Sobre uma recandidatura de Paulo Rangel, Silvano referiu que é «uma possibilidade, mas ainda não foi analisada». 
O atual eurodeputado do PSD disse ao SOL que não fala sobre as europeias. «É o meu dever ter uma posição de recato nesta matéria. É uma questão que o PSD a seu tempo tratará e está muito a tempo de tratar», declarou Rangel.

No PS, como o SOL já noticiou, Augusto Santos Silva é um dos nomes mais prováveis para ser o cabeça de lista.
Mais à esquerda, há em Bruxelas a convicção de que não deverá haver grandes mudanças e que Marisa Matias (BE) e João Ferreira (PCP) deverão recandidatar-se. 

Já quanto a António Marinho e Pinto subsiste a dúvida quanto à recandidatura.