Incêndios. Para o PCP medidas anunciadas pelo primeiro-ministro são insuficientes

“Se não se tomarem medidas do ponto de vista do investimento público” será “uma questão de tempo até outra tragédia desta dimensão voltar a acontecer”, afirmou o dirigente comunista Vasco Cardoso

Para o PCP, as medidas de apoio anunciadas na sexta-feira pelo primeiro-ministro só respondem em parte aos danos e prejuízos causados pelo incêndio que lavrou durante uma semana em Monchique, afetando também Silves e Portimão.

"As medidas anunciadas ontem pelo primeiro-ministro apenas respondem parcialmente à dimensão deste sinistro", afirmou Vasco Cardoso, membro da comissão política do Comité Central do PCP, numa conferência de imprensa realizada nas instalações do partido em Faro.

O dirigente comunista recordou que "nem uma parte das medidas que foram inscritas no Orçamento do Estado para 2018, que foi aprovado com o voto favorável do PCP, foram cumpridas", como, por exemplo, "o reforço de meios" nos ministérios da Agricultura e do Ambiente ou a integração de guardas-florestais, assuntos que se têm "vindo a arrastar".

"É necessário investimento a sério do ponto de vista dos meios e recursos públicos, que não podem estar aprisionado pelas regras do défice das contas públicas e pelas restrições orçamentais", afirmou Vasco Cardoso.

Para o PCP, os incêndios florestais "não são um problema menor" e precisam de "investimento público desta ordem de grandeza" para "resolver os problemas com que hoje estão confrontados o interior e o mundo rural, a serra algarvia e grande parte do interior".

"É neste sentido que consideramos que as medidas anunciadas por parte do primeiro-ministro são escassas, limitadas, insuficientes e incapazes de responder estruturalmente a um problema que está colocado. Passaram-se 15 anos do incêndio de Monchique e a constatação que fazemos é que hoje, 15 anos depois, a serra de Monchique estava mais mal preparada do que aquilo que estava há 15 anos para responder a uma catástrofe desta dimensão", defendeu o comunista.

Por isso, Vasco Cardoso afirmou que "se não se tomarem medidas do ponto de vista do investimento público" será "uma questão de tempo até outra tragédia desta dimensão voltar a acontecer".