Economia

Estivadores. Greve em oito portos só termina em setembro

Sindicato acusa empresas portuárias de “comportamentos criminosos”. Entre as queixas estão casos de “assédio moral” e “perseguição”

Começou ontem um greve dos estivadores ao trabalho suplementar que vai estender-se por quatro semanas. O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), que revela que a paralisação vai afetar 8 portos e apenas terminará no dia 10 do próximo mês. Na lista de portos afetados estão os de Leixões, Figueira da Foz, Lisboa, Ponta Delgada, Praia da Vitória, Caniçal, Sines e Setúbal.

No pré-aviso, o sindicato deixa claro que na origem deste protesto está “a crescente proliferação de práticas anti-sindicais nos diversos portos portugueses, revestindo-se estas de extrema gravidade no Porto de Leixões”. 

Para António Mariano, presidente deste sindicato, não é, no entanto, possível fazer ainda uma estimativa das consequências desta paralisação porque falamos de um protesto que vai abranger “todos os trabalhadores nos oito portos, sejam sindicalizados ou não, e também precários”.

No fundo, a paralisação vai incidir sobre “todo o trabalho que seja suplementar”. Ou seja, “todo o trabalho que ultrapasse o turno normal de trabalho ou um turno de trabalho diário, em dias úteis, e sobre o trabalho em sábados, domingos e feriados”.

Ainda que considerem a paralisação demasiado prolongada, o sindicato não parece recuar na posição e acusa as empresas portuárias de “comportamentos criminosos”. Entre as acusações estão o “assédio moral”, que inclui “perseguição e coação, suborno e discriminação”. Há também queixas de “ameaças de despedimento e chantagem salarial”. O objetivo destas práticas, de acordo com o sindicato, é “colocar os trabalhadores uns contra os outros”.

Passado assusta Os últimos anos ficaram marcados por greves nos portos nacionais. Em 2016, apenas alguns dias depois de ter começado uma das paralisações, os alertas e críticas no porto de Lisboa multiplicavam-se. A greve tinha sido prolongada até 27 de maio, com incidência também nos portos de Setúbal e Figueira da Foz, e depressa começou a levantar sérios problemas ao reforçar a posição do porto de Lisboa na lista negra dos principais operadores do mercado internacional.

Por esta altura, faziam-se contas. Cerca de 100 pré-avisos de greve em dez anos marcavam a atividade do porto de Lisboa. De acordo com a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR), a atividade no porto da capital portuguesa apenas diminuiu e “perdeu a confiança dos armadores”.

Uma situação que pesava ainda mais na soma dos prejuízos já que, em dezembro de 2015, alguns armadores chegaram mesmo a abandonar o porto de Lisboa para fugirem da greve dos estivadores, que entrou em vigor a 14 de novembro.
Por essa altura, somavam-se duas importantes baixas na atividade deste porto: o grupo dinamarquês Maersk, maior armador mundial, anunciou que pretendia abandonar a atividade no porto da capital e a alemã Hapag-Lloyd trocou o porto de Lisboa pelo de Leixões.