Politica

Costa protege Centeno dos ataques da esquerda

Galamba criticou vídeo 'lamentável', mas ficou isolado no PS. BE arrasou Centeno

António Costa não deixou alastrar as críticas a Mário Centeno no interior do PS. O número dois do Governo, Augusto Santos Silva, e a do partido, Ana Catarina Mendes, vieram a público apoiar o ministro das Finanças depois das duras críticas da esquerda ao vídeo sobre a Grécia. O socialista João Galamba alinhou com a indignação dos bloquistas, mas acabou por ficar isolado no partido.

A resposta do PS surgiu um dia depois de Galamba ter classificado  o vídeo como «lamentável» - porque «apaga o desastre que foi o programa de ajustamento grego e branqueia todo o comportamento das instituições europeias» - e dos bloquistas terem acusado o ministro de validar a austeridade.

«Aquele vídeo não dá margem para muitas interpretações e, infelizmente sim, parece uma legitimação da política de austeridade», diz ao SOL a eurodeputada Marisa Matias (ver entrevista ao lado).

O Bloco apareceu em força a atacar o presidente do Eurogrupo. Mariana Mortágua, José Manuel Pureza, José Gusmão e Francisco Louçã distanciaram-se do governante. «Está tudo errado naquele vídeo. Na campanha eleitoral o PS disse exatamente o contrário», afirmou o fundador do Bloco de Esquerda, no seu comentário na SIC.

O PCP também classificou como «infundada a tentativa de apresentação do chamado fim do resgate à Grécia como uma decisão favorável aos trabalhadores e ao povo grego».

Perante as críticas da esquerda, Governo e PS saíram em defesa de Centeno.

Ana Catarina Mendes escreveu, na sua página do Facebook, que Mário Centeno tem «feito um trabalho extraordinário na recuperação da nossa economia com rigor das contas públicas e ganho de credibilidade junto das empresas, das famílias em Portugal e das instituições europeias». A número dois do PS demarcou-se das políticas de austeridade que  «as instituições europeias impuseram aos Estados, como Portugal», mas «a notícia da saída da ajuda financeira é uma boa notícia». Santos Silva, em declarações ao Expresso, achou o vídeo «perfeitamente normal» e até «simpático».  

Ascenso Simões foi outros dos socialistas a apoiar Centeno. Num tom  mais descontraído, o socialista acusou Galamba de «radicalismo barato». Ao SOL, Ascenso lembrou que o PS sempre achou que era possível vencer a austeridade com outras políticas, mas salientou: «Devemos tirar as lições necessárias para que não voltemos a ficar reféns de programas de ajustamento». Às críticas da esquerda, o deputado responde com a garantia de que «vencer a austeridade não implica regabofe. Os partidos mais à esquerda continuam a olhar a Europa como um bicho papão».

O vídeo em que Centeno celebra o fim do resgate tem pouco mais de um minuto. O presidente do Eurogrupo foi acusado de estar a legitimar as políticas de austeridade da União Europeia por ter apresentado a Grécia, que está há oito anos a cumprir programas de ajustamento, como um caso de sucesso. «Hoje, o crescimento económico recuperou. Existe um superavit nas contas públicas e na balança comercial», disse Centeno, garantindo que «a economia foi reformada e modernizada».

 

Direita acusa Costa e Centeno de hipocrisia

A direita também criticou Centeno por ter duas faces. Miguel Morgado, deputado social-democrata, lamentou que o ministro tenha passado três anos «a apoucar a saída limpa portuguesa de 2014» e apareça agora com «palavras doces para um país que sai devorado por problemas após oito anos de bailout».

Duarte Marques, que pertence à comissão parlamentar de Assuntos Europeus, diz ao SOL que «Centeno e Costa revelam uma absoluta hipocrisia e irresponsabilidade política ao desejarem para a Grécia aquilo que não fazem em Portugal, designadamente reformas estruturais». Para o deputado do PSD, é «lamentável que elogiem a saída da Grécia, onde a situação é muito mais difícil e correu muito pior, e não tenham tido uma única palavra de reconhecimento pela saída de Portugal».

Já João Almeida, do CDS, defende que «é impossível ser politicamente sério e coerente e achar que é a mesma pessoa quando fala em Portugal e na Europa».