Opiniao

Vamos ver História no Open dos EUA

Hoje irá fazer-se História, independentemente do que acontecer na final de singulares femininos do 138.º Open dos Estados Unidos.

Se Serena Williams vencer, igualará o recorde mundial de 24 títulos do Grand Slam de Margaret Court; somará o seu sétimo título no US Open, mais do que qualquer outra jogadora profissional, só superada pelos tempos amadores, nos quais Molla Bjurstedt Mallory chegou às oito vitórias (1915, 1916, 1917, 1918, 1920, 1921, 1922, 1926); e tornar-se-á na mais velha campeã de Majors na Era Open, quase com 37 anos.

Mas se for Naomi Osaka a derrotar Serena Williams, o Japão terá pela primeira vez uma figura (mulher ou homem) a vencer um torneio de singulares do Grand Slam, superando a final de Kei Nishikori no US Open de 2014.

Um sucesso da jovem de 20 anos fará ainda com que seja a primeira vez na história do ténis profissional que oito torneios do Grand Slam em dois anos seguidos são conquistados por oito jogadoras distintas: Serena Williams no Open da Austrália de 2017, Jelena Ostapenko em Roland Garros 2017, Garbiñe Muguruza em Roland Garros 2017, Sloane Stephens no US Open de 2017, Caroline Wozniacki no Open de Austrália de 2018, Simona Halep em Roland Garros 2018 e Angelique Kerber em Wimbledon 2018! Só um triunfo de Serena Williams quebrará este ciclo.

O WTA Tour (circuito profissional feminino) garante que oito campeãs distintas de Majors em dois anos seguidos só aconteceu uma única vez, nos anos do amadorismo, em 1937 e 1938!

Mais equilíbrio do que nesta era em que vivemos é impossível e repare-se também nas nacionalidades dessas jogadoras: há seis países representados nos últimos sete títulos de Majors. Só os Estados Unidos conseguiram dois troféus. De resto, vemos a Letónia, Espanha, Dinamarca, Roménia e Alemanha. No caso de Naomi Osaka ser hoje bem sucedida, o Japão juntar-se-á a este lote de sete países diferentes em oito Majors.

O ténis tornou-se numa modalidade verdadeiramente globalizada. Já o era ao nível das bases, mas agora essa realidade alargou-se ao alto rendimento.

Note-se noutro dado fornecido pelo circuito profissional masculino. O ATP World Tour salientou que os oito quartofinalistas do torneio masculino do US Open jogaram por oito nações diferentes: Rafael Nadal (Espanha), Dominic Thiem (Áustria), Juan Martin del Potro (Argentina), John Isner (Estados Unidos), Marin Cilic (Croácia), Kei Nishikori (Japão), Novak Djokovic (Sérvia) e John Millman (Austrália). Até Portugal, graças a João Sousa, teve pela primeira vez um atleta nos oitavos-de-final de um Major.

Opinião publicada na edição do Semanário SOL no dia 8/09/2018